A pesquisa detectou que cerca de 45% dos desempregados está procurando trabalho há mais de seis meses. Vale observar, porém, que dentro deste grupo, quase um quarto das pessoas está na condição há mais de um ano. "Uma parcela importante dos desempregados encontra-se, portanto, exposta ao desemprego de longa duração, situação preocupante tendo em vista a possível perda de habilidades e vínculos profissionais que daí decorre", diz o documento do Ipea divulgado hoje à imprensa.
Marques salientou, porém, que a cobertura do seguro-desemprego é de no máximo cinco meses, com média de quatro meses, o que identifica uma lacuna em termos de proteção social. "O seguro desemprego deixa de cobrir uma parcela significativa de pessoas e é uma questão que se precisa estudar", mencionou o técnico durante entrevista coletiva.
A pesquisa verificou também que as expectativas salariais para esse grupo de pessoas são relativamente baixas, já que mais de 40% dos participantes responderam aceitar um valor igual ou até menor do que o salário mínimo atual (R$ 510). Cerca de um quarto dos entrevistados identificaram a falta de qualificação ou experiência como o principal obstáculo nas seleções de emprego.
Negócio próprio
Poucos participantes da pesquisa, segundo o Ipea, mencionaram o desejo de abrir um negócio próprio, que seria uma alternativa ao emprego assalariado. Dos que atuam por conta própria, o Ipea identificou que é baixa a contribuição com a Previdência Social. Para a maioria, contudo, a não contribuição tem uma explicação clara: a consideração de que o rendimento é baixo.