Economia

Despesas de prefeituras podem aumentar R$ 30 bilhões por ano com o fim da escala 6x1, afirma Melo

Prefeito da Capital e presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) foi o palestrante em evento da Federasul e falou sobre impacto da mudança para os municípios

Prefeito Sebastião Melo discute os impactos da jornada 6x1, no Tá Na Mesa da Federasul
Prefeito Sebastião Melo discute os impactos da jornada 6x1, no Tá Na Mesa da Federasul Foto : Alina Souza

O projeto encaminhado pelo governo federal para o fim da escala 6x1 no Brasil foi o tema debatido nesta quarta-feira na reunião-almoço Tá na Mesa, promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul). Prefeito de Porto Alegre e presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Sebastião Melo destacou os impactos da mudança, que, se aprovada, fará com as prefeituras aumentem suas despesas ao menos R$ 30 bilhões por ano com tributos.

Melo destacou que, através da FNP, contratou um estudo para dimensionar o impacto do fim da escala 6x1 nas contas dos municípios. Alguns resultados preliminares apontam rombo na máquina pública, com reflexos, principalmente, na contratação de serviços terceirizados. “Todo momento é momento de discutir, mas o governo (federal) colocou isso como pauta eleitoreira. Não sou contra o fim da escala 6x1, mas sou contra o atropelo e o seu uso eleitoral”, disse.

O prefeito da Capital destacou ainda que é preciso discutir outros temas relacionados com o bem-estar do trabalhador, como o transporte público, relacionando ao tempo de deslocamento do empregado entre sua casa e o trabalho, além da desoneração da folha de pagamento. Melo ressaltou ainda que o fim da jornada 6x1 precisa ser discutido de forma setorial, em função das características de cada segmento da economia.

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“Estamos concluindo o documento (do estudo de impacto) e, depois, vou chamar uma reunião extraordinária com meus colegas prefeitos e prefeitas para levar ao Congresso Nacional e ao governo federal as nossas preocupações. Mas Brasília é assim: impõem as regras do jogo, transferem a responsabilidade e o dinheiro fica lá”, completou Melo.

Em discurso enérgico, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, voltou a defender um debate técnico sobre o tema, além da liberdade para o trabalhador possa definir sua escala. “Que se retirem os encargos da folha e se incorporem ao salário deles, para que eles possam negociar a escala que querem fazer. Temos um endividamento muito alto. Mandar as pessoas para casa sem renda não nos parece humano. Não nos parece razoável vender essa ilusão eleitoral”, concluiu.

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