Desde que a Procergs emitiu comunicado informando o desligamento do centro de dados ainda na primeira semana de maio para preservar a estrutura contra possíveis danos aos dados e equipamentos, dificuldades ficaram mais evidentes no ramo de venda de veículos, já que o órgão é responsável por processar milhões de transações diárias, incluindo serviços prestados pelo DetranRS, que também ficou inoperante em razão das enchentes. O Rio Grande do Sul comercializa, em média, 15 mil unidades zero quilômetro por mês, incluindo-se todos os segmentos. E se considerados somente automóveis e comerciais leves são 280 unidades vendidas por dia em média. Quanto às motos, o cálculo é de 126 unidades diárias, informa a Sincodiv/Fenabrave, entidade dos concessionários no RS.
As cheias não só deixaram prejuízos nas concessionárias, com carros tomados pelas águas, como também atrasaram procedimentos nas negociações. Além disso, em lojas que não tiveram carros novos submersos, houve destruição de telhados ou desabamentos. A catástrofe atingiu ao menos metade das lojas do Rio Grande do Sul. Estima-se também que deixaram de ser negociadas mais de 2 mil unidades de veículos, entre automóveis, comerciais leves e motocicletas durante 10 dias de inoperância do DetranRS, ou seja, entre 6 e 16 de maio.
Levando-se em conta todos os tipos de veículos, o número seria próximo de 3 mil.
“Mesmo assim, mais de 70 concessionárias estão atendendo de forma gratuita veículos oficiais, de resgate, de apoio, mas não estamos tendo respostas. Ficamos 11 dias sem poder emplacar um veículo. Hoje saiu uma licença provisória, mas igual a gente não consegue colocar nos gravames dos bancos e dos consórcios, e com isso não conseguimos receber dinheiro nem de bancos e nem de consórcios”, afirma o presidente da Fenabrave/Sincodiv RS, Jefferson Fürstenau. As dificuldades técnicas em razão das chuvas ainda devem persistir até o final de maio, segundo a direção da Procergs, que teve a sede alagada.
“Hoje temos mais de 300 concessionárias que estão sem condições de operação, ou porque estão em baixo d'água ou porque tiveram danos nas estruturas e não conseguem trabalhar”, observa Fürstenau. Com relação ao futuro próximo, o dirigente tem poucas esperanças. “Éramos o oitavo estado em emplacamento, e com essa catástrofe dificilmente o RS ficará entre os 10 no país”, prevê. “Tem muito trabalho para fazer. Vai levar tempo para que a gente possa reconstruir, e agora é colocar 2024 como um ano perdido para o setor do automóvel e tentar recuperar isso em 2025”, conclui.