O Brasil reiterou sua disposição em dar sua contribuição financeira através do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar a Europa e não descarta um apoio via Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), disseram fontes diplomáticas brasileiras.
Obama considerou que "a tarefa mais importante para os próximos dois dias é resolver a crise financeira da Europa". O bloco do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) também pressiona a Eurozona para a resolução desta crise, que se aprofundou após a decisão do primeiro-ministro grego, George Papandreou, de convocar um referendo sobre o pacote de ajuda elaborado e aprovado em Bruxelas na semana passada.
O dia esteve cheio de rumores sobre a situação política grega. Um informe indicou nesta tarde que Papandreou está disposto a abandonar o referendo. O líder grego submeterá na sexta-feira a um voto de confiança do Parlamento, onde o destino do governo está por um fio devido as discrepâncias entre os socialistas (no poder).
A chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a diretora do FMI, Christiane Lagarde e os demais representantes europeus anunciaram na quarta-feira à noite que novos fundos para a Grécia só serão desbloqueados após uma reposta clara do país às incertezas atuais. No momento, os 8 bilhões de euros da última parcela do empréstimo de 110 bilhões concedido em maio do ano passado para Atenas estão bloqueados.
"Esperamos manter a Europa com nossos amigos gregos", mas ele "deve decidir se continua nesta aventura com a gente ou não", disse Sarkozy para Papandreou. "Existem regras que precisam ser respeitadas" para que o FMI e a Europa continuem com a ajuda à Grécia, acrescentou. O presidente russo, Dimitri Medvedev, afirmou que o mundo inteiro espera "boas notícias da Grécia e não notícias exóticas ou populistas", em alusão as iniciativas de Atenas.
Cerco à Itália
Os mercados aumentaram o cerco à Itália, cujos títulos de dez anos alcançaram nesta quinta-feira um nível recorde de 6,399%, sinal da desconfiança que persiste entre os investidores. O país possui uma dívida de 1,9 trilhão de euros, o equivalente a 120% do seu PIB. O chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, apresentou aos seus parceiros europeus as medidas anticrise adotadas na véspera e que serão levadas ao Senado na próxima semana, segundo uma fonte governamental.
Em meio a tanta confusão, os mercados europeus reverteram seus números negativos durante a abertura impulsionados pelo Banco Central Europeu (BCE), que cortou sua taxa básica de juros em um quarto de ponto, para 1,25%. Pela tarde, o mercado de ações de Frankfurt ganhava 3,17%, Paris +3,03%, Milão +3,81%, Londres +1,18% e Madri +1,9%.
Os europeus querem acelerar e potencializar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), para evitar que a crise da dívida atinja economias maiores como a Itália e a Espanha, disse uma fonte diplomática. A China poderá destinar 100 bilhões de dólares para ajudar a Eurozona, afirmou um membro do comitê de política monetária do banco central chinês ao jornal francês Le Figaro nesta quinta-feira.