O dólar exibiu queda firme em relação ao real neste primeiro pregão de 2026, em meio a ajustes técnicos e movimento de realização de lucros após a valorização de 2,89% da moeda americana em dezembro. Sem a pressão sazonal de remessas de divisas e já absorvido nos preços a mudança de prêmios de risco com o lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência no início de dezembro, o real ensaia uma recuperação das perdas recentes amparado na atratividade do carry trade.
Com mínima de R$ 5,41, a moeda americana encerrou a sessão desta sexta-feira com o menor valor de fechamento desde 15 de dezembro
Com mínima de R$ 5,4166, o dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira, 2, em baixa de 1,16%, a R$ 5,4256 - menor valor de fechamento desde 15 de dezembro.
Nos dois últimos pregões, a moeda americana apresenta queda de 2,57% em relação ao real. No ano passado, recuou 11,18% - a maior desvalorização anual desde 2016.
O real apresentou de longe o melhor desempenho entre as divisas emergentes e de exportadores de commodities mais líquidas. Peso mexicano e rand sul-africano avançaram cerca de 0,50% na comparação com o dólar. Já o índice DXY - que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes - subia cerca de 0,15% no fim da tarde, na casa dos 98,46 pontos.
O diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, observa que o real recuou cerca de 6% em relação ao peso mexicano e o peso chileno ao longo de dezembro.
'Isso aconteceu pelo anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro e as remessas do fim de ano. Sem a pressão das remessas e com menos ruídos políticos, o real tem espaço para se recuperar', afirma Weigt, ressaltando que a moeda brasileira continua muito atraente para operações de carry trade com o amplo diferencial entre juros interno e externo.
A avaliação entre analistas é que o Comitê de Política Monetária (Copom) tende a iniciar um ciclo de cortes da Selic apenas em março. Não está descartada a possibilidade de que o Federal Reserve promova cortes adicionais de juros ao longo do primeiro trimestre, embora as apostas majoritárias sejam de manutenção da taxa básica americana no encontro de política monetária em janeiro.
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Na tarde desta sexta, 2, o Banco Central informou que o fluxo cambial total em dezembro, até 26, foi negativo em US$ 8,410 bilhões, com saídas líquidas de US$ 15,047 bilhões pelo canal financeiro, que abrange as remessas de lucros e dividendos. Em dezembro de 2024, as saídas pelo canal financeiro superaram US$ 24 bilhões.
Neste ano, até 26 de dezembro, o fluxo cambial total está negativo em US$ 28,164 bilhões, com entrada líquida de US$ 48,367 bilhões via comércio exterior e saídas líquidas de US$ 76,532 bilhões pelo lado financeiro.
O economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, diz que em igual período de 2024, o fluxo financeiro total era negativo em US$ 14,7 bilhões. Naquele período, houve entrada líquida de US$ 68,2 bilhões pelo comércio exterior - ou seja, US$ 20 bilhões superior à observada neste ano.
'Observa-se, portanto, uma deterioração relevante do saldo, explicada pela piora do segmento comercial. Enquanto o fluxo de exportações recuou de US$ 297,0 bi para US$ 284,4 bi, o de importações aumentou de US$ 228,9 bi para US$ 236,0 bi', afirma o economista, em nota.