Depois de rondar a estabilidade ao longo da tarde, o dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira, 15, cotado a R$ 5,0785 (+0,01%). Apesar da continuidade do movimento global de desvalorização da moeda americana, deflagrado na terça pela deflação ao consumidor nos EUA e reforçado nesta pelo recuo da inflação ao produtor, o real exibiu fôlego bem reduzido.
Além de certa acomodação após o rali de terça, houve um aumento dos prêmios de risco em razão de questões domésticas, como a ampliação do favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. Também pesou sobre o real a perspectiva de confirmação, ainda nesta quarta, do tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, embora com uma lista ampliada de exceções, como antecipado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).
"Com esse ambiente externo favorável a emergentes, o real deveria ter um comportamento melhor", afirma o economista Fabrizio Velloni, para quem a ampliação da vantagem de Lula deixa os investidores na defensiva, uma vez que sinaliza a manutenção da atual política fiscal. "O carry e os preços do petróleo ainda dão sustentação ao real, apesar dos problemas internos."
Pesquisa Genial/Quaest mostrou que a aprovação do governo Lula superou a desaprovação. As intenções de voto do petista no primeiro turno passaram de 39% para 40%, ao passo que Flávio Bolsonaro (PL-FJ) oscilou de 29% para 28%. Em eventual segundo turno, Lula tem 45% contra 37% do senador.
Apesar do gás curto do real nesta quarta, o dólar acumula queda de 0,59% na semana e de 1,64% em julho, após valorização de 2,38% em junho. Em 2026, a moeda americana recua 7,48% frente ao real, que apresenta, no período, o segundo melhor desempenho entre as divisas mais relevantes, atrás apenas do peso colombiano.
O head da Mesa Internacional da Mirae Asset, Jonathan Joo Young Lee, ressalta que a imposição de tarifas dos EUA a produtos brasileiros era o principal risco de curto prazo para a divisa local, que ainda é favorecida no ano "por um carry muito atraente, com yields implícitos perto de 13%."
O economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, ainda espera uma eleição "altamente competitiva", apesar da melhora da melhor do desempenho de Lula nas pesquisas, em meio a atritos na família Bolsonaro.
"Os principais riscos para os mercados são um aumento dos gastos públicos por conta das eleições e as tensões comerciais com os Estados Unidos, que podem manter os prêmios de risco elevados", afirma Abadia, em relatório.
Referência do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY recuava cerca de 0,40% no fim da tarde, ao redor dos 100,526 pontos, após mínima aos 100,353 pontos. As taxas dos Treasuries recuaram com o alívio inflacionário e o comportamento mais tranquilo do petróleo, que fechou em ligeira alta.
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O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) caiu 0,3% em junho, em linha com as expectativas. Já o núcleo, que exclui os itens mais voláteis, subiu 0,2%, abaixo do esperado. Na terça, o índice de preços ao consumidor (CPI) trouxe deflação acima das expectativas em junho.
No Senado americano, o presidente do Fed, Kevin Warsh, alertou que CPI e PPI são medidas imperfeitas da tendência da inflação subjacente e reforçou o compromisso com a estabilidade de preços. As falas do chairman, contudo, tiveram impacto muito limitado na trajetória do dólar.
"O PPI reforça o alívio de terça com o CPI e reduz a pressão para que o Fed eleve os juros no curto prazo, principalmente na reunião do fim de julho", afirma a coordenadora de inteligência e alocação da Avenue, Juliana Benvenuto.