Economia

Dólar recua a R$ 5,45, mas real avança menos que pares entre emergentes

Após alta, moeda americana acompanha comportamento global de baixa, mas divisa brasileira mostra ganhos inferiores aos de seus pares entre emergentes

Após alta, moeda americana acompanha comportamento global de baixa
Após alta, moeda americana acompanha comportamento global de baixa Foto : Marcos Santos / USP Imagens

Após subir nos três últimos pregões e atingir o maior nível de fechamento no ano na terça-feira, o dólar à vista recuou frente ao real nesta quarta-feira, acompanhando o comportamento global da moeda americana.

A vitória do Partido Democrata nas eleições parlamentares de meio de mandato nos Estados Unidos é vista como um limitador ao voluntarismo do presidente Donald Trump e pode abrir caminho para o fim do conflito contra o Irã. O real apresentou ganhos bem inferiores aos de seus pares entre divisas emergentes, em razão da postura cautelosa dos investidores diante da expectativa por sinais da política econômica do Lula 4 e da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

A avaliação é a de que o tombo de mais de 8% do petróleo ao longo da tarde, embora reduza os termos de troca, contribuiu para o recuo do dólar via menor percepção de risco. Depois de uma alta pontual e limitada no início da tarde, quando registrou a máxima da sessão (R$ 5,4985), o dólar se firmou em terreno negativo nas últimas horas de negócios e terminou o dia em baixa de 0,65%, a R$ 5,4518. A moeda americana acumula alta de 0,14% nos três primeiros pregões de novembro, após ganhos de 9,04% na última semana de outubro - maior valorização semanal desde outubro de 2008, auge da crise financeira global.

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Impacto da Selic

A decisão de política monetária pelo Banco Central será um importante teste de credibilidade, diante dos desafios na frente fiscal. "Apesar do alívio no pregão, o cenário doméstico segue exigindo cautela. Nesse contexto, marcado também pelas incertezas fiscais, o mercado espera uma pausa no ciclo de flexibilização monetária, com manutenção da Selic em 13,75% ao ano", afirma a head de Produtos e Alocação da HCI Advisors, Luise Coutinho.

"A atenção estará concentrada no tom do comunicado após a decisão e, posteriormente, nos detalhes da ata. Esses documentos ajudarão a avaliar como o Copom Comitê de Política Monetária incorpora a piora do balanço de riscos e quais as condições considera necessárias para os próximos passos da política monetária", pontua ela.

Os juros futuros percorreram o pregão desta quarta-feira, de decisão de política monetária com forte queima de prêmios, que se aproximou de 50 pontos-base nos vértices longos rumo ao fim da sessão. Já em queda diante do ambiente mais positivo na renda fixa global, as taxas renovaram mínimas intradia no meio da tarde, primeiramente a reboque do petróleo, que chegou a perder 10% no dia.

Segundo agentes, embora o alívio tenha sido ditado principalmente pelo cenário externo, notícias de que o presidente Lula deve se pronunciar para acalmar o mercado neste fim de semana parecem ter contribuído para o alívio.

A sessão desta quarta, assim, se contrapôs à forte alta dos DIs após o resultado das eleições presidenciais, devido à precificação de maior risco fiscal pelo mercado, que se queixa da falta de sinalização de medidas de cortes de gastos e também de quem irá compor a equipe econômica. Profissionais ainda relataram entrada de fluxo estrangeiro para a renda fixa local, assim como "stops" nas apostas em inclinação maior da curva.

A esmagadora vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos arrefeceu preocupações com a trajetória fiscal do país, ao mesmo tempo em que gerou expectativa de que haja mudança na estratégia do governo Trump para a guerra contra o Irã.

O contrato do petróleo tipo Brent para janeiro se firmou abaixo dos US$ 100 e encerrou com recuo de 8,66%, refletindo falas do presidente Donald Trump e de seu vice, JD Vance, que atribuíram a derrota do Partido Republicano ao conflito no Oriente Médio. "O enfraquecimento de Trump pode abrir espaço para arrefecimento nas tensões entre EUA e Irã e forçar o país a abandonar a guerra", avalia o economista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, destacando fala do presidente de que não vê necessidade de mais ataques. "Ele terá que fazer algo a contragosto, buscando uma saída honrosa", disse.

A derrota dos republicanos, ao colocar mais limites na administração atual, ainda evita chances de que medidas controversas sejam aprovadas, como novos "tarifaços", aponta Rostagno. "Isso favoreceu o fechamento da curva nos EUA e também ajudou no caso da curva brasileira." No quadro doméstico, o economista menciona a confirmação de que Rogério Marinho (PL) será candidato à presidência do Senado, o que os investidores viram como uma notícia positiva, como outro fator que pode ter contribuído para reduzir as taxas.

Também por aqui, o Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou que Lula deve fazer um pronunciamento à nação no fim de semana para acalmar os ânimos do mercado e promover uma ideia de pacificação do País. Lula deve dizer que terá responsabilidade fiscal e informar medidas de ajuste em discussão com a Fazenda e o Planejamento.

"Essa notícia do Lula já vinha desde cedo, então é difícil atribuir toda a melhora dos juros a ela, mas ajudou", avalia o estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital. O sócio-fundador da Eytse, Sergio Goldenstein, concorda que a notícia foi um vetor adicional para o recuo dos DIs, se somando à expressiva queda do petróleo e ao recuo dos yields dos Treasuries. Em segundo plano, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) reforçou a análise de que o mercado de trabalho está em rota de desaceleração gradual. Foram abertas 121,3 mil vagas com carteira assinada em setembro, abaixo da mediana do Projeções Broadcast, de 163,6 mil postos.

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