O dólar exibiu alta firme nesta terça-feira, 23, e se aproximou do nível de R$ 5,20, em sessão bastante negativa para divisas emergentes. A aversão ao risco externo em dia de tombo das ações de tecnologia e a expectativa por dados de inflação nos EUA nesta semana, que podem reforçar apostas em alta de juros pelo Federal Reserve, levaram investidores a buscar abrigo na moeda norte-americana.
Por aqui, a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) desfez parte do desconforto gerado pelo comunicado na semana passada, mas deixou explícito o aumento de incerteza sobre a trajetória da política monetária, com perspectiva de pausa e retomada do processo de calibração da taxa Selic. Operadores afirmam que o diferencial de juros seguirá elevado mesmo em caso de novo corte do juro básico, mas alertam para a menor atratividade do carry trade em razão do aumento da volatilidade.
Em alta desde a abertura dos negócios e com máxima de 5,1915, à tarde, o dólar à vista encerrou o pregão em alta de 0,89%, a R$ 5,1874 - maior valor de fechamento desde 30 de março (R$ 5,2478). A moeda americana avança 2,87% frente ao real em junho, após valorização de 1,82% no mês passado. No ano, as perdas, que chegaram a superar dois dígitos no início de maio, quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90, agora são de 5,49%.
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Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia mais de 0,30% no fim da tarde, na casa dos 101,390 pontos, após máxima aos 101,433, nos maiores níveis em pouco mais de um ano. O Dollar Index já sobe quase 2,5% em junho e mais de 3% no ano. O euro perdeu mais de 0,40% na esteira de leitura abaixo das expectativas dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) na Europa.
Já o PMI composto dos EUA, que engloba serviços e indústria, subiu de 51,5 em maio para 52,2 em junho - o maior nível em cinco meses, segundo pesquisa preliminar da S&P Global divulgada nesta terça-feira. Analistas esperavam queda para 51,4%.
Apesar de declarações desencontradas de autoridades dos EUA e do Irã sobre o andamento das negociações de paz, as cotações do petróleo encerraram em leve baixa, de olho na flexibilização de restrições americanas ao petróleo iraniano e no fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O contrato do Brent para setembro, referência de preços para a Petrobras, fechou em queda de 0,93%, a US$ 76,80 o barril, acumulando desvalorização de mais de 15% em junho.