O anúncio fez os mercados mergulharem, com o euro caindo abaixo de 1,37 dólar, pela primeira vez desde fevereiro. Os mercados de ações da Europa também caíram, com o índice DAX 30 em Frankfurt perdendo mais de 4,4%; o CAC-40 de Paris, mais de 3,6%; o IBEX-35 em Madri, 4,4%; e o FTSE Mid Index em Milão, 4,9%.
Stark, que entrou no comitê executivo do banco em junho de 2006, "ficará no cargo até que um sucessor seja escolhido, o que ocorrerá, de acordo com os procedimentos previstos, até o fim deste ano", disse o BCE em comunicado. O economista é um dos membros mais linha-dura do BCE, recentemente apelidado de "Rottweiler" por um jornal grego.
Ele tem sido crítico ao controverso programa da instituição de comprar títulos de países – como a Grécia – que têm dificuldades de se financiar pelos mercados. O programa foi colocado em espera até o mês passado, quando, de acordo com a imprensa, tanto Stark como o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, votaram contra a retomada.
Na quinta-feira, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, respondeu ao criticismo alemão em relação ao programa. O banco só embarcou em tal plano "porque os governos em questão não se comportaram bem", disse o francês. "Gostaria de ouvir algum elogio para uma instituição que ajudou a Alemanha a ter estabilidade de preços por quase 13 anos."
Mas o comunicado do BCE não mencionou tais divergências. Em vez disso, afirma que Trichet agradeceu Stark "de coração aberto por sua ampla contribuição para a unidade europeia por muitos anos". Trichet "expressou particular gratidão por sua dedicação excepcional e inabalável como membro do comitê executivo e conselheiro por mais de cinco anos".
Analistas, no entanto, sugerem que a saída de Stark pode apontar para divergências mais profundas entre as políticas da Zona Euro e da União Europeia sobre o caminho a tomar para resolver a crise da dívida, principalmente sendo esta a segunda renúncia alemã em Frankfurt nos últimos seis meses, depois que o presidente do Bundesbank, Axel Weber, saiu em fevereiro. "Parece confirmar que há uma profunda divisão dentro da Comissão Europeia", afirma Holger Schmieding, economista-chefe do Berenberg Bank.
A demissão "alimentará a desconfiança nos mercados globais de que a Alemanha poderá eventualmente sair da união monetária. Caso isso aconteça, poderá exacerbar as tensões nos mercados por algum tempo", disse Schmieding.