“O governo construiu muita infraestrutura que logo não serviu para nada. Agora estão aí e são um problema de manutenção, com uma dotação muito superior à que a economia necessita”, observou o economista, que participou do painel “Falta de infraestrutura – A infraestrutura pública é gratuita?” do Fórum da Liberdade, no começo da tarde desta terça-feira.
Segundo Alvarez, o Brasil está em uma situação delicada porque irá desenvolver muito em pouco tempo. Como integrante da escola liberal, ele defende que os investimentos, na medida do possível, pela iniciativa privada. Ele acredita que o setor tem mais condições de avaliar quais as obras que continuarão a ser úteis após os grandes eventos. “Políticos decidem apenas que tem de haver infraestrutura, mas essa é uma decisão muito fácil. O complicado realmente é saber quanta, como e de que tipo”, alertou.
As Olimpíadas de Atlanta, em 1996, são citadas como um exemplo positivo. Na ocasião, o investimento foi feito principalmente pela iniciativa privada. “São estruturas que até hoje se utilizam e que estão servindo à sociedade”, explicou Alvarez. “Já em Barcelona e sobretudo Sevilha, muita infraestrutura que serviu aos eventos já não é utilizada. Então é um capital morto.”
Alvarez foi um dos fundadores, em 2005, do Instituto Juan de Mariana, entidade que visa difundir as ideias liberais e participar do debate sobre os principais temas da Espanha. Frente à crise que assola a União Europeia, especialmente o seu país, o economista afirma que o papel do liberalismo é evitar uma nova enxurrada de gastos públicos. “Alguém vai ter que pagar tudo isso. E o papel do liberalismo é que a solução seja uma solução justa, ou seja, que os que se envidaram paguem”, definiu.