Economistas projetam Brasil pós-pandemia em live do Corecon-RS
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Economistas projetam Brasil pós-pandemia em live do Corecon-RS

Especialistas pontuam que país deverá acelerar reformas depois que Covid-19 for controlada

Por
Christian Bueller

Economia pós-pandemia é tema de encontro no Corecon-RS


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Dentro do projeto “Força-tarefa: economistas falam à sociedade gaúcha”, o Conselho Regional de Economia (Corecon-RS) promoveu em sua página no Facebook a live “Mercado de trabalho: de onde viemos, onde estamos, para onde vamos?”. Em um pouco mais de uma hora, os economistas e professores Giácomo Balbinotto Neto (Ufrgs), Hélio Zylberstajn (USP) e José Márcio Camargo (PUCRJ) debateram sobre o atual momento do país, em meio à pandemia da Covid-19.

Dividida em três momentos, a conversa virtual começou analisando o cenário antes da chegada do novo coronavírus ao país. O momento era de crescimento do emprego formal, segundo Zylberstajn. “Mesmo razoavelmente, se tratava de uma evolução. O governo federal colocou uma equipe técnica que trazia as reformas importantes para o Brasil. Vínhamos caminhando. Aí, veio a Covid-19”, lamentou.

Camargo acrescentou que as atividades via aplicativos trouxeram um novo fôlego ao mercado. “O problema é quando a empresa não encontra o trabalhador e vice-versa. O aplicativo é positivo e fez diminuir o desemprego, não só na área de transporte. Muitas empresas estavam sendo criadas, em todos os setores”, observou o professor, lembrando que o Brasil apresentava um crescimento de 1% ao ano. “Foram gerados quase 2 milhões de postos de trabalho por ano até 2020”, complementou.

Giácomo Balbinotto Neto lamentou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que divulgou o fechamento de mais de 800 mil postos de trabalho com carteira assinada em abril de 2020. “Teremos que acelerar as reformas, dadas as condições que iremos encontrar no país”, opina o professor da Ufrgs.

Os especialistas comentaram sobre as medidas dos governantes diante do pandemia. “São muitas incertezas sobre quanto tempo a economia irá aguentar o isolamento social. A sociedade esta ficando cansada. É um problema porque causar uma saída desornada que pode piorar a situação”, alertou José Márcio Camargo, que elogiou a flexibilização gradual adotada por governadores.

Sobre a retomada do país pós-pandemia, Hélio Zylberstajn espera investimentos capitaneados pelo setor privado. “O Estado, que sempre puxou o crescimento, não vai ter condição de investir, pelo que já gastou durante a crise. Será uma nova era, um novo paradigma”. Para ele, o país precisa rever o sistema educacional e aprimorar a qualificação de mão de obra. “Atualmente, se prepara o jovem para o vestibular. Temos que prepara-lo para o mercado de trabalho. Na Alemanha e Coreia, esse é o modelo”.

José Márcio Camargo acredita que somente as empresas mais produtivas prosperarão. “Felizmente ou infelizmente, as de baixa produção serão destruídas. Haverá desemprego, mas a economia terá um grau de produtividade mais elevada”, projeta.


O professor da PUCRJ sugere que as políticas de auxílio emergência do governo federal a determinados setores terão de terminar com o fim da pandemia para não prejudicar a economia do país. “Essas medidas não podem passar de 2020, têm que ser provisórias. O país que queremos é o da reinserção no mercado de trabalho, não a da manutenção de uma política de transferência de renda”, concluiu Camargo.