O cenário econômico do ponto de vista internacional, nacional e do Rio Grande do Sul foi debatido no Cenários 2026, evento promovido pela CDL Porto Alegre no Instituto Caldeira nesta quinta-feira, dia 18. Com o tema "Projetando tendências que inspiram o futuro do seu negócio", o encontro buscou discutir as prioridades do ano que vem, como as eleições, as mudanças no fluxo de consumo e o início da transição da reforma tributária são importantes para compreender os movimentos no ambiente de negócios.
Para Oscar Frank, economista-chefe do CDL, o cenário internacional foi de incerteza. O protecionismo dos Estados Unidos, por meio das tarifas médias impostas para entrada de produtos no território americano, que chegou a atingir 28%. "O choque protecionista aumentou essa tarifa média de importação em 7 vezes, ou seja, algo completamente fora da curva". Os impactos provocaram o enfraquecimento do dólar e a perda de confiança, além da redução de expectativas de crescimento do PIB e queda do preço das commodities.
Em âmbito nacional, o Brasil teve um primeiro semestre mais positivo por conta do impulso da Safra de Grãos, e um segundo semestre mais difícil por conta da conjuntura de inflação ainda pressionada, juros altos e incertezas externas fiscais.
No Rio Grande do Sul, a estiagem prejudicou em grande quantidade a safra de grãos de soja. Para 2026, o cenário depende das condições climáticas. "Nós temos a expectativa de um fenômeno La Niña, com menos chuvas, mas um fenômeno moderado. Se isso vier acontecer, se nós tivermos uma safra mais próxima da normalidade, a tendência é que a gente cresça bem acima da média nacional em 2026", afirma.
Ele lembra que a safra não atinge a normalidade desde 2021, principalmente por conta dos eventos extremos de estiagem e enchentes, afetando no crescimento do PIB. "Isso fez com que, ao longo desses últimos anos, nós estejamos devendo muito para a média nacional. O Brasil desde a pré-pandemia cresceu aproximadamente 13% até o último dado. E o Rio Grande do Sul só 4,5%", comenta.
As eleições, ao seu ver, trazem caráter de volatilidade e incerteza, e os principais indicadores deverão ser impactados. “Precisamos acompanhar ganhar com atenção, até porque, dependendo do resultado, nós podemos ter caminhos bem diferentes”, pontua.
O economista também comentou sobre a inadimplência de pessoas físicas, que atingiu recorde por conta da taxa de juros, que pressiona os custos de empréstimos. "Nós ainda acreditamos que vai piorar um pouco mais para depois começar a melhorar, porque esse efeito da taxa Selic é defasado sobre a inadimplência. Ainda estamos sentindo aqueles aumentos que aconteceram alguns meses atrás com relação à taxa Selic", analisa. Ele acredita que apenas em março, quando a taxa Selic começar a cair, o efeito defasado poderá provocar uma melhora da inflação mais representativa.
Desafios da política global
O cientista político Carlos Alberto Furtado de Melo tratou das dificuldades da política global, e como o cenário impacta o Brasil, que entrará em ano de eleição. "Não sou um sujeito muito otimista em imaginar que o debate político olhe para o futuro. Não temos esse ambiente hoje e as candidaturas, a meu ver, não expressam isso. Pelo menos nesse momento. Mas é necessário olhar para o futuro", comenta o especialista.
Para ele, o principal problema está na transição de gerações. "A geração de políticos que nós temos são resultado ainda de um processo antigo do Brasil, de 40 anos atrás, que ainda olha para uma sociedade, uma sociedade industrial, quando a sociedade não é mais assim, é a sociedade da tecnologia, da inteligência artificial, uma sociedade que demanda novos empregos, novos saberes, o novo conhecimento e os políticos não estão sintonizados com isso, de nenhum partido", disse. Na sua avaliação, as mudanças levarão um tempo para se estabelecer no país.
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O presidente da CDL POA, Írio Piva, na abertura do evento, destacou a importância de ler tendências, entender riscos e identificar oportunidades para planejar o próximo ano. "Hoje vivemos em um ambiente de negócios marcados por desafios macroeconômicos persistentes. Um cenário político que influencia nas expectativas e nas decisões. Sabemos que 2026 será um ano decisivo. Teremos eleições que podem redefinir prioridades políticas e econômicas. Transformações estruturais como reforma tributária exigem planejamento e ao mesmo tempo. Diante disso, informações e qualidade se tornam ativos estratégicos".