O IBovespa – índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa – perdeu 4.280 pontos hoje, para fechar nos 48.668,29 pontos, o menor nível desde os 47.226,79 pontos de 29 de abril de 2009.
Na mínima da sessão, o Ibovespa atingiu os 47.793 pontos, em queda de 9,74%, e, na máxima, os 52.938 pontos (-0,02%). No mês, a queda atinge 17,26%, elevando a perda acumulada em 2011 para 29,78%. O volume de negócios hoje totalizou R$ 9,599 bilhões. Os dados são preliminares. Em Nova Iorque, números preliminares apontam queda de 5,54% para a Dow Jones no fechamento e de 6,90% para a Nasdaq. Já a S&P 500 caiu 6,69%.
Com o aumento da aversão ao risco, provocado pelo rebaixamento dos títulos de longo prazo da dívida dos Estados Unidos, os investidores venderam ações e correram para ativos considerados mais seguros, como o euro e até mesmo os rebaixados títulos da dívida dos Estados Unidos.
Para se ter uma ideia, por conta de uma demanda elevada, o juro dos papeis de 10 anos da dívida dos EUA tocou a mínima de 2,325%, o nível mais baixo desde janeiro de 2009 e pouco acima da mínima recorde de 2,034%, atingida em dezembro de 2008, após o colapso do Lehman Brothers.
Já o ouro, renovou o recorde de alta e atingiu a paridade com a platina pela primeira vez desde o fim de 2008. O ouro spot chegou ao nível do metal mais caro ao atingir a marca histórica de US$ 1.715,29 a onça-troy. A platina spot, de seu lado, caiu brevemente à mínima do dia em US$ 1.703,00 por onça-troy, por conta dos temores com a demanda do metal fortemente ligado ao desempenho das indústrias.
O dólar, também usado como segurança por investidores, subiu 1,64%, para R$ 1,6120, maior patamar desde 26 de maio de 2011.
Circuit breaker
Faltou pouco mais de 100 pontos para acionar o circuit breaker no pregão - na mínima, o Ibovespa desmoronou aos 47.793 pontos, 9,73%. Esse mecanismo é acionado no momento em que o índice perde 10%, paralisando os negócios, inicialmente, por 30 minutos. A última vez em que o circuit breaker foi acionado ocorreu em 22 de outubro de 2008, na crise financeira internacional. Naquele dia, o Ibovespa caiu 10,18% e fechou em 35.069 pontos.
No mercado futuro, onde não há circuit breaker, o índice que vence este mês chegou a bater os 10% de perda, obrigando os investidores, a partir daí, a vender os contratos neste piso (o equivalente a 47.740 pontos) ou com preços mais altos, já que não são aceitas quedas superiores a 10%.
Mercado doméstico
O mercado doméstico teve uma das quedas mais acentuadas do mundo em razão da sua elevada liquidez e também por causa da sua dependência de commodities (ações de empresas ligadas a matérias-primas), ativos que são menos consumidos em tempos de desaceleração econômica global.
As ações da Petrobras e da Vale tiveram perdas que variaram entre 9% e 11% na mínima, fecharam ligeiramente acima, mas nem de longe foram as maiores quedas do Ibovespa: Marfrig ON, (-24,83%), OGX ON, (-16,36%) e Brasil Ecodiesel ON (-15%) ocuparam as primeiras posições.
Petrobras ON, -7,90%, Petrobras PN, -7,58%, Vale ON, -9,52%, Vale PNA, -9,17%. No setor siderúrgico, Gerdau PN, -10,80%, Metalúrgica Gerdau PN, -8,25%, CSN ON, -11,66%, e Usiminas PNA, -6,07%.
No pior momento, Bolsa caiu 9,74% e ficou próxima de acionar o circuit breaker | Foto: Yasuyoshi Chiba / AFP / CP
Obama diz que os EUA sempre terão nota máxima
O presidente norte-americano, Barack Obama, defendeu nesta segunda-feira o crédito dos Estados Unidos depois de a agência Standard & Poor's ter rebaixado a nota do país de AAA para AA+. Segundo ele, os EUA sempre serão "triplo A" (nota máxima). "O fato é que não precisamos de uma agência de rating dizendo ser necessária uma abordagem equilibrada e de longo prazo para a redução do déficit: isso era verdade na semana passada, era verdade no ano passado e era verdade no dia em que assumi o governo", disse.
Dilma considera medida precipitada
Nesta segunda, a presidente Dilma Rousseff considerou precipitada a avaliação feita pela Standard & Poor's. "Podemos deixar claro que não compartilhamos com a avaliação precipitada e um tanto rápida, eu diria, não correta da agência que diminuiu o grau de valorização de crédito dos Estados Unidos", disse a presidente, durante declaração à imprensa por ocasião da assinatura de atos com o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, no Palácio do Planalto.