A profissão de cabeleireiro é popular. Entre os MEIs, por exemplo, profissionais da beleza lideram os novos registros: 17,95 mil, seguidos por publicidade (17,1 mil), transporte rodoviário de carga (15,5 mil) e ensino (14,4 mil). Os dados são de abril, mas divulgados recentemente no site da Agência Sebrae de Notícias a partir de informações da Receita Federal.
O cabeleireiro Israel Alves Motta, 48, faz parte do grupo de MEIs. Para além dos números oficiais, arrisca um cálculo e acredita que 95% dos profissionais de estética trabalhem de forma independente. Com carteira assinada, lembra, é raro. Em geral, acrescenta, o cabeleireiro fica com 50% do que cobra pelo corte e o salão, com a outra metade.
Natural de Manaus, Israel também é maquiador e produziu o visual de estrelas quando atuava no Norte do país. Ele guarda com carinho fotos ao lado de celebridades e conta que atuou como maquiador para dois filmes: "A Selva" (2002), direção de Leonel Vieira, e "O Dia da Caça" (2000), direção de Alberto Graça. "Também trabalhei no Teatro Amazonas por sete anos no Festival de Ópera Internacional, maquiando grandes nomes", lembra. “E fiz uma pequena participação maquiando no São Paulo Fashion Week de 2019", acrescenta. O currículo também inclui uma trajetória de oito anos em São Paulo. Hoje morando em Porto Alegre, Israel descobriu a cidade a partir da visita a uma tia que já morava no Rio Grande do Sul. Após a morte do pai ele mudou para o Sul com a mãe, uma sobrinha e o marido dela, quando passou a trabalhar em um salão na Andradas para logo depois mudar de endereço profissional em razão dos transtornos da enchente que abalou o Centro Histórico. Israel, então, seguiu para uma estética na zona Leste, na região da Antonio de Carvalho.
Na infância o cabelo de Israel era cortado pela mãe, de forma leiga, apenas para manter alinhados os fios. "Me identifiquei com aquela habilidade. Comecei a trabalhar com 13 anos", recorda. Em Manaus, conta, “há um salão ao lado do outro", o que é relacionado à história do Amazonas, marcado por riqueza, grandes teatros e prédios adornados por pedrarias. "Era preciso manter o glamour dentro da floresta", assinala. A elegância do passado, acredita, reforçou a paixão das mulheres nortistas por cuidar da aparência. Com 35 anos de experiência, o profissional da beleza ensina que o segredo do sucesso é “nunca se acomodar”.