Economia

Empresas envolvidas na Carne Fraca devem ter queda nas vendas, diz Moody's

Agência de classificação de risco pontuou que todo setor sofrerá com interrupções no comércio

Operação Carne Fraca deve gerar impacto a vendas de empresas envolvidas, diz Moody´s
Operação Carne Fraca deve gerar impacto a vendas de empresas envolvidas, diz Moody´s Foto : Nelson Almeida / AFP / CP
A Operação Carne Fraca provavelmente impactará as vendas de carnes brasileiras no Brasil e no exterior, prejudicando exportadores de aves como a BRF e, em menor grau, a JBS, destacou, em relatório, a agência de classificação de risco Moody's. Segundo a Moody's, a nota da BRF é "Ba1" estável e a da JBS é "Ba2" estável.

"Ainda é muito cedo para quantificar o impacto ou quanto tempo vai durar, já que as implicações no crédito dependerão dos resultados das investigações e da possível reação dos parceiros comerciais do Brasil", disse a agência.

A Moody's assinalou ainda que todo o setor da carne brasileiro sofrerá com as interrupções no comércio relacionadas aos desdobramentos da operação. "As exportações sofrerão à medida que países importadores suspendam compras antes de saber mais sobre as implicações sanitárias relacionadas a embarques específicos", afirmou a agência.

A companhia destacou as restrições temporárias anunciadas por países como China e Chile aos embarques brasileiros e a decisão da União Europeia de suspender a importação de produtos de 21 plantas citadas nas investigações, mas disse acreditar que "os altos padrões sanitários e o histórico de segurança animal e de produto das exportações brasileiras devem mitigar os riscos de novas medidas adversas temporárias ou permanentes".

A agência destacou, entretanto, que outras autoridades de países que importam a carne brasileira ainda podem interromper embarques em trânsito ou mesmo declarar bloqueios temporários até que haja mais informações sobre a segurança dos produtos. "Tais medidas, se generalizadas e estendidas indefinidamente, prejudicariam seriamente as exportações brasileiras de carne, prejudicando o Ebitda dos frigoríficos e, portanto, suas métricas de crédito", afirmou a Moody's.

Uma queda nas exportações de carne de aves do Brasil atingiria a BRF de forma mais severa entre os produtores brasileiros avaliados, uma vez que a maior parte de sua produção está concentrada no Brasil, disse a agência. A Moody's ressaltou que, em virtude da investigação, a BRF fechou até agora a sua fábrica de Mineiros, em Goiás, que representa menos de 5% da capacidade total de abate da empresa.

"Atualmente, a alavancagem da BRF é alta em 4,6 vezes, medida por dívida bruta ajustada/Ebitda, após um desempenho muito fraco em 2016", apontou a Moody's. "Qualquer frustração na geração de Ebitda nesta conjuntura colocaria pressão adicional nas métricas de crédito." Contudo, conforme a Moody's, apesar da alta alavancagem, a BRF tem "um forte perfil competitivo e uma boa liquidez com R$ 6,3 bilhões em caixa no fim de 2016", o que atenua riscos. A agência salientou ainda que a companhia tem US$ 1 bilhão em linha de crédito disponível com prazo de vencimento em maio de 2019.

Já a JBS sofreria uma menor pressão vinda de suas operações no Brasil, pois a empresa tem apenas 5,2% da receita proveniente de exportações da Seara e de exportações de aves e cerca de 4,8% de sua receita proveniente das operações de carne bovina no Brasil, conforme a agência. No total, 72,7% das receitas da JBS são geradas em subsidiárias nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e na Europa, que não teriam nenhuma exposição real às investigações no Brasil, segundo a Moody's.

Embora a Operação Carne Fraca não mencione os produtores de carne bovina Marfrig e Minerva, ambas as empresas poderiam sofrer os efeitos de uma crescente interrupção nas exportações brasileiras, conforme a Moody's. "A carne bovina representa a maior parte da produção da Minerva - principalmente no Brasil, mas em parte no Paraguai, no Uruguai e na Colômbia - o que deixa a empresa mais exposta à volatilidade do mercado do que a Marfrig", destacou.

Além das operações latino-americanas da carne bovina, a Marfrig obtém metade de sua receita da Keystone nos EUA, que vende principalmente carne de aves e produtos processados a restaurantes nos EUA e em outros mercados.

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