Os níveis muito baixos de desemprego e a expansão dos rendimentos a taxas superiores à inflação, ampliaram a renda e, juntamente com as condições facilitadas de crédito. “Em 2011, apesar de mais lento, o crescimento do consumo continuou, levando consigo os níveis de endividamento, visto que grande parte das compras são financiadas”, analisou o presidente do Sistema Fecomércio, Zildo De Marchi.
O leve aumento registrado nos últimos 30 dias está em linha com a conjuntura econômica atual. O crescimento do percentual de endividamento foi mais acentuado nas famílias de maior renda (de 81% para 86%). Nos grupos com renda de até 10 salários mínimos, por sua vez, a parcela de endividadas ficou praticamente constante, aumentando de 74% em junho para 75% em julho. O cartão de crédito foi a ferramenta mais utilizada para os parcelamentos (84,2%), seguido pelos carnês (31,2%) e pelos financiamentos de carro (22,6%).
A quantidade de famílias com contas em atraso apresentou elevação de dez pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano passado, somando 36% dos entrevistados. “Após meses de acumulação de dívidas, apesar da conjuntura de renda elevada, a falta de educação para o uso racional do crédito e a falta de planejamento orçamentário podem estar contribuindo para um nível mais elevado de famílias com contas em atraso”, exemplificou o presidente da Fecomércio. Mesmo assim, é importante ressaltar que o patamar atual com contas em atraso não é considerado excessivamente elevado, uma vez que o mesmo está acima de sua média histórica.
Já as famílias que não terão condições de pagar suas dívidas (11%), que apresentou elevação em relação ao verificado no mesmo período do ano passado (7%), caiu na comparação com junho de 2011 (13%). A explicação para essa dinâmica na inadimplência está no fato de que a ampliação das contas em atraso e a elevação da taxa de juros, que encarecem as parcelas das dívidas a serem saldadas, tornam mais difícil para as famílias a quitação imediata da totalidade de seus débitos, apesar do patamar de renda mais elevado. "O País precisa educar seus cidadãos para o consumo consciente. O comércio precisa de consumidores, mas não de qualquer consumidor. Precisamos de consumidores adimplentes, que honrem seus compromissos. E isso só acontece quando as pessoas têm conhecimento de como gerir os seus próprios recursos e o crédito a que têm acesso", concluiu De Marchi.