Economia

Entenda o que muda com a lei que perdoa dívida e aumenta limite do MEI

Medida deve alcançar 17,6 milhões de empreendedores

Medida deve alcançar 17,6 milhões de empreendedores
Medida deve alcançar 17,6 milhões de empreendedores Foto : Agência Sebrae / Divulgação / CP

O governo federal sancionou nesta quarta-feira a lei que perdoa dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), amplia o limite anual de faturamento e flexibiliza regras de contratação. Aprovada pelo Congresso após passar pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, a medida integra um pacote do Executivo voltado para reduzir o endividamento e simplificar a rotina da categoria.

Segundo o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o conjunto das iniciativas tem o potencial de alcançar cerca de 17,6 milhões de microempreendedores individuais em todo o País.

Veja o que muda com a nova legislação:

Perdão (Anistia) de dívidas

Entre as medidas de efeito mais imediato, a lei prevê a remissão integral de débitos tributários federais de titularidade da União contraídos até 13 de outubro de 2026.

O que é abrangido: o perdão contempla o valor original das contribuições previdenciárias em atraso, multas, juros e encargos de cobrança. Durante a tramitação, o alcance foi ampliado para incluir não apenas os débitos inscritos na Dívida Ativa da União, mas também aqueles em fase de cobrança administrativa, o que, segundo o Ministério da Fazenda, gera um impacto adicional de até R$ 2 bilhões.

Quem é beneficiado: a estimativa é de que cerca de 3,6 milhões de empreendedores tenham as dívidas perdoadas, permitindo que fiquem com o "nome limpo" no Serasa e recuperem o acesso a crédito.

Condições e regras: a medida entra em vigor em 1º de janeiro de 2027, de forma automática (sem necessidade de solicitação à PGFN). Para manter o benefício, o MEI precisará pagar em dia as guias mensais do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) durante os seis primeiros meses seguintes à entrada em vigor.

Não haverá devolução de valores já pagos anteriormente, e quem possui ações judiciais para contestar os débitos precisará desistir das ações (sem cobrança de honorários advocatícios).

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Aumento gradual do teto de faturamento

Congelado desde 2018, o limite anual de faturamento do MEI passará por reajustes escalonados para evitar que os empreendedores recusem oportunidades ou precisem migrar precocemente para regimes tributários mais pesados:

  • R$ 110.000,00 a partir de 2027;
  • R$ 140.000,00 a partir de 2028.

A regra também prevê mecanismos para que empresas enquadradas em outras faixas do Simples Nacional possam retornar ao enquadramento como MEI, desde que cumpram os requisitos previstos.

Contratação de empregados

A nova lei flexibiliza o limite de funcionários que um microempreendedor pode contratar:

  • Atividades contempladas: segmentos específicos de indústria, comércio e prestação de serviços no meio rural passam a poder manter até dois empregados registrados.
  • Demais segmentos: para as demais atividades, continua valendo o limite atual de apenas um funcionário.
  • Remuneração: a legislação estipula que os contratados deverão receber exclusivamente um salário mínimo ou o piso da categoria profissional.

Novas regras de notas fiscais e o "Nano MEI"

O pacote traz ainda previsões de desburocratização e novas categorias para os próximos anos:

  • Notas Fiscais: há a proposta de dispensar os MEIs da obrigação de emitir notas fiscais em vendas de mercadorias e prestação de serviços para pessoas físicas. A emissão continuará obrigatória apenas nas operações com empresas e órgãos públicos, com regulamentação prevista por decreto presidencial no contexto da reforma tributária.
  • Nano MEI: a partir de 2027, projeta-se a criação da categoria "Nano MEI", voltada a autônomos com faturamento de até R$ 40,5 mil por ano, que poderão atuar sem abrir CNPJ e sem emitir notas fiscais.

Compras públicas e licitações

O acesso a mercados governamentais também foi ampliado:

  • O limite para as licitações exclusivas destinadas a micro e pequenas empresas subiu para R$ 130.984,20.
  • O teto de valor para contratações diretas por meio da plataforma Contrata+Brasil passou de R$ 13 mil para R$ 25 mil.

Propostas paralelas em análise

Paralelamente à lei já sancionada, o governo anunciou uma proposta complementar que ainda depende de aprovação do Congresso: a concessão de até R$ 5 mil não reembolsáveis (recurso que não precisa ser devolvido) voltados para investimentos em pequenos negócios.

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