Depois do anúncio do pacote de medidas de socorro ao setor exportador impactado pelas tarifas norte-americanas de 50%, as principais entidades representativas da economia gaúcha avaliaram como positivas as ações da União. Porém, com ressalvas. Os segmentos esperavam que o governo federal anunciasse alguma flexibilização trabalhista. No entanto, isso não foi incluído e as linhas de crédito contidas no plano ficaram condicionadas à manutenção do número de empregos.
Sobre isso, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, disse que o governo está “negando a realidade”. “Uma empresa que perde 20%, 30% do faturamento e não tem uma perspectiva imediata de recuperação, precisa pensar na sua própria sobrevivência. Precisa se reestruturar, inclusive, demitindo parte dos funcionários para preservar o emprego dos funcionários que permanecem, para preservar a sobrevivência da empresa.” Para ele, as medidas são positivas, mas há riscos de fechamento de empreendimentos. “O que pode acontecer é a empresa encerrar as atividades e aí todos os 100% dos funcionários perdem o emprego e o Estado deixa de arrecadar. Então, aí tem uma série de consequências sociais e econômicas muito negativas a partir dessa negação da realidade”, declarou.
Para a Fiergs, o pacote é necessário para dar fôlego às empresas afetadas, mas insuficiente para garantir a sustentabilidade dos negócios e preservar vagas. “A ausência de medidas trabalhistas concretas no plano é preocupante, uma vez que, somente no Rio Grande do Sul, milhares de postos de trabalho estão diretamente ameaçados”, observou a entidade em nota.
O presidente da Fiergs, Claudio Bier, afirmou que ainda é preciso entender como as medidas irão funcionar e que elas não são capazes de restabelecer a competitividade de entrada no mercado dos EUA. “As medidas são paliativas, não resolvem o problema. Ainda precisamos de um plano para preservar os empregos. O governo, acima de tudo, deve manter o foco na negociação diplomática para reduzir as tarifas”, salientou. A Fiergs considerou relevantes as medidas de adiamento e restituição de impostos e também entendeu como imprecisos alguns pontos, como as compras governamentais.
O setor de calçados também ficou na expectativa de algo que contemplasse o tema do trabalho. O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destacou que faltaram “novas medidas voltadas à manutenção dos empregos”.
Apesar de os calçados destinados aos EUA serem produzidos no modelo de marca própria, que não podem ser redirecionado para outros países no curto prazo, a entidade informou que corrobora com a necessidade de novos acordos comerciais, especialmente para potencializar a inserção dos produtos industrializados no mercado externo, com atenção a um comércio justo.
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