Economia

Entidades do RS cobram medidas para preservar empregos

Parte do setor produtivo gaúcho considerou as medidas anunciadas pela União como positivas, mas insuficientes

Linhas de crédito contidas no plano  ficaram condicionadas à manutenção do número de empregos
Linhas de crédito contidas no plano ficaram condicionadas à manutenção do número de empregos Foto : Fabio Scremin/APPA

Depois do anúncio do pacote de medidas de socorro ao setor exportador impactado pelas tarifas norte-americanas de 50%, as principais entidades representativas da economia gaúcha avaliaram como positivas as ações da União. Porém, com ressalvas. Os segmentos esperavam que o governo federal anunciasse alguma flexibilização trabalhista. No entanto, isso não foi incluído e as linhas de crédito contidas no plano ficaram condicionadas à manutenção do número de empregos.

Sobre isso, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, disse que o governo está “negando a realidade”. “Uma empresa que perde 20%, 30% do faturamento e não tem uma perspectiva imediata de recuperação, precisa pensar na sua própria sobrevivência. Precisa se reestruturar, inclusive, demitindo parte dos funcionários para preservar o emprego dos funcionários que permanecem, para preservar a sobrevivência da empresa.” Para ele, as medidas são positivas, mas há riscos de fechamento de empreendimentos. “O que pode acontecer é a empresa encerrar as atividades e aí todos os 100% dos funcionários perdem o emprego e o Estado deixa de arrecadar. Então, aí tem uma série de consequências sociais e econômicas muito negativas a partir dessa negação da realidade”, declarou.

Para a Fiergs, o pacote é necessário para dar fôlego às empresas afetadas, mas insuficiente para garantir a sustentabilidade dos negócios e preservar vagas. “A ausência de medidas trabalhistas concretas no plano é preocupante, uma vez que, somente no Rio Grande do Sul, milhares de postos de trabalho estão diretamente ameaçados”, observou a entidade em nota.

O presidente da Fiergs, Claudio Bier, afirmou que ainda é preciso entender como as medidas irão funcionar e que elas não são capazes de restabelecer a competitividade de entrada no mercado dos EUA. “As medidas são paliativas, não resolvem o problema. Ainda precisamos de um plano para preservar os empregos. O governo, acima de tudo, deve manter o foco na negociação diplomática para reduzir as tarifas”, salientou. A Fiergs considerou relevantes as medidas de adiamento e restituição de impostos e também entendeu como imprecisos alguns pontos, como as compras governamentais.

O setor de calçados também ficou na expectativa de algo que contemplasse o tema do trabalho. O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destacou que faltaram “novas medidas voltadas à manutenção dos empregos”.

Apesar de os calçados destinados aos EUA serem produzidos no modelo de marca própria, que não podem ser redirecionado para outros países no curto prazo, a entidade informou que corrobora com a necessidade de novos acordos comerciais, especialmente para potencializar a inserção dos produtos industrializados no mercado externo, com atenção a um comércio justo.

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