Com o Rio Grande do Sul ocupando a quinta posição no Ranking de Competitividade dos Estados 2025, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o governador Eduardo Leite destaca avanços e acredita que pode atingir níveis maiores. "Pelos indicadores que a gente observa, tenho muita confiança de que o Estado em breve assumirá uma quarta posição", estima. No entanto, o principal gargalo para esse avanço, aponta, está no equilíbrio fiscal.
O Estado reduziu a despesa do déficit previdenciário sobre a receita corrente, atualmente com 16%. Porém, a dívida com a União ocupa outros 12%, somando 28% de despesas. O governador pontua que, entre as despesas com o déficit e a dívida, 1/3 da receita do Estado é consumida. "Isso é muito limitador da capacidade do Estado", afirma Leite. O governador ressalta que a competitividade ultrapassa questões tributárias e logísticas, mas envolve temas mais amplos, como segurança pública, educação, formação de capital humano e inovação.
Leite tratou do assunto no Fórum de Competitividade, evento promovido pelo CLP, que anualmente divulga o Ranking de Competitividade dos Estados e Municípios. O encontro ocorreu nesta quarta-feira na Associação Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre. O fórum promove o debate entre os poderes público e privado sobre os principais pilares da competitividade.
O governador comparou as dívidas estaduais com o Paraná, com número populacional semelhante. Enquanto o déficit previdenciário do RS é de R$ 10 bilhões, no outro estado fechou perto de R$ 7 bilhões em 2024. O governador afirmou que a União trata de forma "desleal" o Rio Grande do Sul, e deixa de investir em incentivos fiscais e fundos constitucionais como em outros estados.
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Leite defende concessões e parcerias com a iniciativa privada para auxiliar na capacidade de investimento. "Não é uma questão de desejo do governador ou não, é uma questão de contas que ficaram para pagar de vários governos que se acumularam, e é uma conta da sociedade gaúcha e que, portanto, precisa ser usado em transformação dessa agenda para poder garantir investimentos em duplicação de rodovias, melhoria de infraestrutura essencial para competitividade do Estado", conclui.
Tratando-se de estradas, ele comparou o que o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) investiu em 40 anos na duplicação de 49 quilômetros de vias, enquanto nos projetos estaduais de concessão de rodovias para 10 anos, serão duplicados 600 quilômetros, mencionando os projetos para os blocos 1, 2 e 3. "É impossível o Estado fazer esse investimento sozinho. Não temos que ficar esperando solução de fora", afirma.