O aumento no uso das plataformas digitais e de ferramentas de inteligência artificial estão transformando a relação entre marcas e consumidores e, em um ambiente no qual as empresas disputam cada vez mais a atenção do público, é necessário rever estratégias de comunicação para atração, apontam especialistas. O presidente da Associação Riograndense de Propaganda, Fernando Silveira, enxerga a tecnologia como agente de transformação capaz de evoluir e agilizar o trabalho de comunicação, mas aponta desafios relacionados à propriedade intelectual. Já o CEO da Dinamize, Jonatas Abbott, ressalta que o consumidor precisa ser atraído pelo produto e no contato físico.
Eles palestraram nesta terça-feira na edição do Menu POA, reunião-almoço promovida pela Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), sobre como personalizar mensagens e construir relacionamentos de confiança, em um mundo com uso de diferentes tecnologias, tornam a comunicação com o consumidor mais estratégica e eficiente.
Silveira aponta que há desafios com a diferença das regras na operação de plataformas digitais em comparação com veículos tradicionais, como jornal, rádio e TV. "As plataformas digitais competem com os veículos. Mas os veículos têm regras muito claras, tanto editoriais como fiscais e trabalhistas. As plataformas não. Qual a diferença de vender publicidade em jornal, rádio ou TV, ou vender em uma plataforma? Tecnicamente, não existe muita diferença, a não ser no uso. Mas as regras para as plataformas são muito mais flexiveis do que os veículos. Temos que dar luz sobre regras iguais para todos que executam a comunicação", analisa.
Silveira ressalta que as plataformas fazem autoregulamentação, controlam e geram seus próprios dados, e que precisam de mais supervisão. "Não sou contra, não acho que tenha que banir as plataformas. Acho que tem que estar todo mundo na mesma regra".
Para Jonatas Abbott, o desafio está em conquistar um consumidor que, em sua grande maioria, não é digital, principalmente em um cenário de envelhecimento da população, diminuição de nascimentos e migração para outros estados e países. "O consumidor não quer ficar socado em um quarto escuro, na frente de uma tela, vivendo a vida digital. A vida não é digital, a vida é física", declara. Abbot visualiza que é um erro não apostar no varejo físico, e que a tecnologia precisa ser um complemento.
A própria compra por inteligência artificial, que é uma tendência futura, vem para commodities, uma compra corporativa. Então, uma empresa vai comprar papel higiênico, e vai usar, talvez, inteligência artificial. Mas o consumidor quer produto, e quer produto em abundância", diz. Para ele, é necessário inovar e discutir saídas para atrair mais consumidores, apostando no potencial turístico e em eventos, como a criação de um centro de eventos na Capital.
"Está na hora de Porto Alegre ter menos medo da tecnologia e inovar mais em produto, experiência e turismo, para que a gente consiga compensar a falta de população e o envelhecimento da população com novos consumidores".