Economia

Está mais caro comprar frutas, hortaliças e legumes no Brasil

Levantamento da FGV indica que alimentos sofreram alta de 25,61% no último ano

Levantamento da FGV indica que alimentos sofreram alta de 25,61% no último ano
Levantamento da FGV indica que alimentos sofreram alta de 25,61% no último ano Foto : Pedro Revillion / CP Memória
Está mais caro manter uma dieta saudável e, consequentemente, entrar em forma para o verão. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada nesta sexta-feira revela que frutas, hortaliças e legumes – produtos que tradicionalmente são mais procurados nas estações mais quentes por serem leves – tiveram alta nos preços no último ano. Segundo dados colhidos pelo economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, André Braz, esses alimentos sofreram uma elevação, em média, de 25,61% entre novembro de 2011 e outubro de 2012.

A alta supera a inflação média acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que no mesmo período subiu 5,97%. O economista explica que vários fatores contribuíram para o aumento nos preços, entre eles, a variabilidade climática. "O clima prega peças. Faz calor quando deveria fazer frio ou chove muito quando deveria ser calor", explica. O tomate, por exemplo, subiu muito de preço em julho, mês em que costuma haver uma baixa no valor. "Ao invés do preço baixar, teve uma forte alta", relata Braz. O economista informa que o fruto sofreu com as baixas temperaturas: "funciona como se fosse um freeser, impedindo que os frutos amadureçam e sejam colhidos."

Segundo Braz, também influenciaram nos preços o aumento do custo da mão de obra no campo e o transporte dos alimentos, já que o diesel – combustível usado pelos caminhões – apresentou mais de um reajuste durante o ano.

Braz lembra que o aumento expressivo no valor dos produtos in natura tem impacto no custo de vida dos brasileiros. "São produtos perecíveis, que precisam ser consumidos imediatamente e não podem ser estocados", enfatiza. A estimativa, segundo Braz, não é de baixa para os próximos meses. "Sol intenso não é bom para esses produtos, especialmente para as hortaliças. Pelo menos as frutas sempre têm da estação", ressalta. A boa notícia é que frutas, hortaliças e legumes não devem ficar caros para sempre.

Produtos


A batata-inglesa foi o produto que teve a maior variação no período: 74,51%. A cebola (56,84%), o tomate (54,62%) e o alho (42,68%) — alimentos bastante utilizados para o preparo das principais refeições — estão pesando mais no bolso do consumidor. Entre os 27 produtos avaliados, poucos apresentaram taxa de variação abaixo do IPC, como: laranja-pera (-8,12%) e mamão formosa (-0,33%). A despesa com hortaliças, legumes e frutas comprometem cerca de 2% do orçamento familiar.



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