A alta supera a inflação média acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que no mesmo período subiu 5,97%. O economista explica que vários fatores contribuíram para o aumento nos preços, entre eles, a variabilidade climática. "O clima prega peças. Faz calor quando deveria fazer frio ou chove muito quando deveria ser calor", explica. O tomate, por exemplo, subiu muito de preço em julho, mês em que costuma haver uma baixa no valor. "Ao invés do preço baixar, teve uma forte alta", relata Braz. O economista informa que o fruto sofreu com as baixas temperaturas: "funciona como se fosse um freeser, impedindo que os frutos amadureçam e sejam colhidos."
Segundo Braz, também influenciaram nos preços o aumento do custo da mão de obra no campo e o transporte dos alimentos, já que o diesel – combustível usado pelos caminhões – apresentou mais de um reajuste durante o ano.
Braz lembra que o aumento expressivo no valor dos produtos in natura tem impacto no custo de vida dos brasileiros. "São produtos perecíveis, que precisam ser consumidos imediatamente e não podem ser estocados", enfatiza. A estimativa, segundo Braz, não é de baixa para os próximos meses. "Sol intenso não é bom para esses produtos, especialmente para as hortaliças. Pelo menos as frutas sempre têm da estação", ressalta. A boa notícia é que frutas, hortaliças e legumes não devem ficar caros para sempre.
Produtos
A batata-inglesa foi o produto que teve a maior variação no período: 74,51%. A cebola (56,84%), o tomate (54,62%) e o alho (42,68%) — alimentos bastante utilizados para o preparo das principais refeições — estão pesando mais no bolso do consumidor. Entre os 27 produtos avaliados, poucos apresentaram taxa de variação abaixo do IPC, como: laranja-pera (-8,12%) e mamão formosa (-0,33%). A despesa com hortaliças, legumes e frutas comprometem cerca de 2% do orçamento familiar.