Economia

Estados propõem aumento do imposto sobre herança para até 20%

Confaz justifica medida por Brasil taxar abaixo da média mundial e para liberar caixas estaduais

O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão que reúne os secretários estaduais de Fazenda do país, decidiu propor, nesta quinta-feira, elevação da alíquota máxima para o Imposto de Transmissão de Causa Mortis e Doação (ITCD), que é a taxação sobre herança. Atualmente, a alíquota máxima é 8% e os estados querem poder cobrar até 20%. Os secretários de Fazenda aprovaram o encaminhamento de uma minuta de resolução ao Senado propondo a alteração.

De acordo com a secretária de Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão, o objetivo da medida é defender as receitas tributárias dos estados, que enfrentam crise financeira. “Já existem estudos que mostram que o Brasil é o país que menos tributa o patrimônio. Nossa deliberação foi subir essa alíquota máxima para 20%, o que alinha com outros países. Significa protegermos uma base tributária que é dos estados, não do governo federal”, disse, referindo-se à discussão para que o governo federal leve parte da arrecadação do ITCD, hoje dividido entre estados e municípios.

Segundo ela, isso não significaria “dar uma rasteira” na União. “Nós precisaremos fazer isso se continuar essa situação de insensibilidade por parte do governo federal. Nós estamos fazendo ajuste, gerando superávit primário, cortando na carne”, afirmou a secretária. De acordo com ela, o problema mais urgente dos estados são empréstimos que o governo federal não está liberando. “O ministro Joaquim Levy sinalizou no último Confaz que começaria a liberar alguns empréstimos e isso não foi feito. Há uma fila de pleitos já analisados pela Procuradoria da Fazenda sem definição”.

Joaquim Levy, que é presidente do Confaz, não participou da reunião desta quinta-feira. De acordo com Ana Carla, Fabrício do Rozario Valle Dantas Leite, secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda e presidente substituto do Confaz, encarregou-se de levar ao ministro os pleitos dos secretários de Fazenda. Os secretários também decidiram formar uma comissão para conversar com o ministro. “Foi criada uma comissão, com um secretário de Fazenda por região, e deverá ser marcado para próxima semana [o encontro com Levy]”, informou a secretária de Fazenda de Goiás.

De acordo com Paulo Truslindo, secretário de Fazenda de Mato Grosso, para estados exportadores, o principal problema é o atraso no repasse do Fundo de Fomento às Exportações (Fex). “Mato Grosso é um dos estados que tem um dos maiores níveis de exportações do país, assim como Goiás, Pará. Nós não recebemos ainda R$ 400 milhões relativos ao Fex do ano passado. Isso impacta em uma série de pontos dentro do estado”, afirmou. Um dos problemas, segundo ele, é a necessidade de investir em estradas a fim de escoar a produção exportada.

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