O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, expressou otimismo, nesta segunda-feira (29), de que um possível encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump possa destravar as negociações para a redução do "tarifaço" imposto a produtos brasileiros nos Estados Unidos.
Em entrevista à Rádio CBN, Alckmin declarou: "Nós estamos confiantes de que terá uma boa conversa entre o presidente Lula e o presidente Trump e que isso possa destravar ainda para a gente avançar mais."
Segundo ele, essa reunião, cuja data e formato ainda não foram detalhados, será um passo importante para conseguir novas exceções à sobretaxa e, principalmente, reduzir a tarifa de 50% atualmente aplicada a parte dos produtos.
Redução de tarifa e papel do setor privado
O ministro reforçou que a prioridade é minimizar o impacto da tarifa, que ele descreveu como "10% mais 40%", totalizando os 50%.
"Então, o setor privado teve e terá um papel importante para a gente excluir mais setores do tarifaço [...] e reduzir essa alíquota, porque não tem sentido", disse Alckmin. Ele destacou que os argumentos lógicos estão do lado brasileiro e que a mudança de postura de Trump em se mostrar mais aberto ao diálogo é positiva.
Alckmin nega relação com STF
Alckmin também fez questão de desvincular as decisões internas do Brasil de políticas de comércio exterior, como a imposta pelos EUA. Ele negou qualquer relação entre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e a política de tarifas de importação/exportação.
"Tarifa de importação e exportação é política regulatória, não tem nada a ver com a questão de decisão de Suprema Corte", afirmou. O vice-presidente acredita que o avanço do diálogo com os norte-americanos ajudará significativamente a melhorar a relação bilateral.
Por fim, o ministro da Indústria e Comércio anunciou que, em 15 dias, fará uma viagem à Índia com o objetivo de negociar a abertura de mais mercados para os produtos brasileiros.