"Saudamos os progressos na Grécia e as decisivas medidas que adotaram as autoridades gregas nos últimos dez dias", disse o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, ao final do primeiro dos dois dias da cúpula de chefes de Estado e de Governo do bloco.
"Apoiamos os esforços realizados pelos gregos", destacou Van Rompuy, que nesta quinta-feira foi designado chefe das cúpulas do Eurogrupo, formado por 17 países da zona do euro.
Mas o grupo vincula a entrega dos 130 bilhões de euros à Grécia à operação para reduzir a dívida grega: "o sucesso da operação de troca da dívida com elevada participação (do setor privado) e um relatório final positivo do pacote total de medidas prévias adotadas pela Grécia" são condições "necessárias" para a entrega dos fundos, disse o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker.
Operação pretende reduzir dívida grega
Há alguns dias, o Eurogrupo deu a Atenas até o final de fevereiro para aprovar uma bateria de medidas antes de começar a transferir os fundos prometidos. A operação de troca de bônus da dívida grega em poder do setor privado foi deflagrada no dia 24 de fevereiro e os resultados deverão ser conhecidos no dia 9 de março.
Essa operação sem precedentes na história financeira pretende reduzir em 53,5% a dívida nas mãos de bancos, companhias de seguro e fundos de investimento para aliviar o peso do conjunto da dívida grega (pública e privada), que soma 350 bilhões de euros.
A Grécia precisa receber o auxílio internacional antes do próximo dia 20 de março, para poder honrar um vencimento de 14,5 bilhões de euros de bônus da dívida. Os líderes europeus discutem medidas para impulsionar o crescimento em um continente que vai terminar o ano em recessão e atormentado pelo desemprego, que atingiu um recorde de 10,7% no bloco dos 17 países da Eurozona.
"A UE, nos últimos meses, dedicou suas atenções para a estabilidade financeira", destacou o mandatário belga, Elio di Rupo. Mas as opiniões dos 27 são 'muito diferentes'", acrescentou sobre o eixo franco-alemão e as receitas econômicas defendidas por 12 países, liderados pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron.
Carta para impulsionar crescimento europeu
"Os objetivos são os mesmos, os meios para atingir estes objetivos são completamente diferentes", lamentou o primeiro-ministro da Bélgica. Doze países, entre os quais a Espanha, enviaram uma carta ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e para Barroso, pedindo "um forte estímulo com sinais específicos para impulsionar o crescimento europeu".
Desta forma, a Espanha espera obter aliados para rever suas metas de déficit para 2012, sobretudo entre os países periféricos que tiveram que adotar as draconianas medidas de austeridade exigidas pro Bruxelas.
Os europeus adiaram para o final de março o debate sobre um reforço do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE), para dar mais tempo à Alemanha, primeira economia da Europa, que não acredita na urgência de se reforçar os mecanismos anticrise, apesar da pressão da comunidade internacional e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
"Avaliaremos a capacidade do FEEF e do MEDE em março e será feito em uma cúpula de ministros das Finanças", assinalou Van Rompuy.
Os dirigentes europeus acreditam que esse mecanismo permanente de socorro entre em vigor em julho, com uma capacidade de crédito de 500 bilhões de euros, substituindo o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). Mas a ideia agora é aumentar sua capacidade para 750 bilhões de euros, com margem para intervir no mercado da dívida e recapitalizar o fragilizado sistema bancário europeu.