O presidente da entidade, Christian Lohbauer, disse que os ministérios da Agricultura, de Relações Exteriores e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, já têm um grupo que examina o assunto desde que ele veio à tona. Nas próximas semanas, representantes de cada pasta se reunirão com autoridades americanas de diferentes áreas para tratar o caso. “Vai ser um esforço muito mais político do que técnico, porque a posição técnica já foi toda conversada”, explicou.
Embora o carbendazim seja aceito em outros mercados, está proibido nos Estados Unidos desde 2009 e a detecção do produto no suco brasileiro foi considerada pelos americanos como uma violação das regras, explicou Lohbauer. Após se reunir com o secretário executivo do ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, e o de Relações Internacionais, Célio Porto, ele disse acreditar numa solução em curto prazo.
“A ninguém interessa que o suco brasileiro não entre nos Estados Unidos. É uma questão eminentemente técnica e legal. Não há o interesse, por exemplo, de proteger o mercado interno ou o produtor americano, porque o suco brasileiro é necessário na cadeia produtiva americana, não há outro fornecedor mundial com a proporção do suco brasileiro que forneça para os Estados Unidos”, afirmou Porto.
Lohbauer garantiu que desde a primeira semana de janeiro a indústria brasileira suspendeu o uso do carbendazim em suas lavouras e que um trabalho de divulgação deve ser feito com os demais produtores. O projeto apresentado pela indústria é de uma carência de 18 meses para que 100% do produto brasileiro chegue ao mercado americano sem nenhum resíduo do fungicida.
Em relação ao que já foi enviado aos Estados Unidos, que pode ultrapassar 30 mil toneladas do produto, a lei americana prevê duas alternativas: incineração ou reexportação para outros mercados. Lohbauer disse que nenhum exportador deve optar pela incineração. Apesar de aceitar a retirada do fungicida das lavouras brasileiras, o presidente da Citrus-BR disse que não houve falha do produtor nacional.
“O produto está dentro da lei brasileira, todos os outros mercados aceitam. O citricultor não fez nada de errado, a indústria não fez nada de errado. O fato é que a maneira como nós fazemos a medição e o monitoramento da substância não foi suficiente pra evitar que um índice mínimo fosse detectado nos Estados Unidos. A agência americana já oficializou que isso não traz problema para a saúde, então todo suco brasileiro está apto para consumo humano, mas a gente enfrenta uma questão legal”, explicou Lohbauer.
O carbendazim é uma das três substâncias usadas em rotação nas lavouras brasileiras de laranja para combater os fungos que a atacam. A solução é a substituição por outro, ainda a ser escolhido, e que, segundo Lohbauer, ainda não existe em quantidade suficiente no mercado brasileiro.
Segundo a Citrus-BR, o Brasil exporta cerca de 1,2 milhão de toneladas equivalentes de suco de laranja por ano a um valor de US$ 2 bilhões. Cerca de 70% disso vai para a União Europeia e 13% para os Estados Unidos. No entanto, 55% das importações americanas de suco de laranja têm origem brasileira. Lá, o suco brasileiro é misturado a sucos de outras procedências, de dentro do país e do México, para dar mais cor e gosto ao produto comercializado.