Licenciamento, logística, investimentos e transmissão para a viabilidade da produção de energia eólica e hidrogênio verde foram os assuntos abordados pelos participantes do primeiro painel do turno da tarde do 4 Fórum de Energias Renováveis, realizado nesta quinta-feira, em Porto Alegre. “Se por um lado, a gente tem demandas, cronograma e investimento, por outro, sabemos das demandas do Estado para criar as condições”, declarou o mediador, Guilherme Sari, diretor de Eólicas do Sindienergias-RS, que é um dos promotores do evento, junto com o Correio do Povo.
Para falar sobre este gargalo, o diretor-técnico da Fepam, Gabriel Ritter, informou que há atualmente no RS projetos com licenças em vigor, somando 6 GW de energia eólica. Segundo ele, o setor já tem um portfólio aguardando por investimento. Ritter explicou que o órgão de licenciamento atua com um tripé, que envolve as normativas, a tecnologia de informação e os recursos humanos. “A Fepam investe R$ 500 mil por mês em aprimoramento de sistema. Devemos ter 20% de reforço na equipe de análise com o próximo concurso.”
Representado o segmento da indústria que fabrica turbinas eólicas, o gerente de vendas da Nordex, Robertison Brito, salientou que a empresa firmou um memorando de interesse com o governo do Estado para a instalação de uma unidade no Rio Grande do Sul. “O RS tem bons recursos, mas falta algo no meio do caminho para isso acontecer”, destacou. A cada fábrica instalada, ocorre a geração de cerca de 300 empregos diretos, com salários médios de R$ 3 mil. Ele disse que o objetivo é colocar fábricas em locais com condições de atender mais de um parque eólico. “O RS pode ser tornar uma referência eólica.”
Os insumos produzidos por esse tipo de fábrica para fornecer a parques de energia eólica são de grande porte e os terminais portuários necessitam se adaptar a esse tipo de carga. O gestor ambiental da Portos RS, Henrique Ilha, observou como o Superporto, localizado em Rio Grande, pode contribuir para a produção de eólica e também para o hidrogênio verde. “O porto passou a buscar como funcionam os parques onshore e offshore. Várias das infraestrturas são pensadas para receber as gigantes eólicas.” Ilha frisou ainda que a Portos RS tem uma capacidade de recursos humanos instalada, que significa um diferencial nesta área.
O desafio de se obter investimento para atrair projetos foi tratado pelo diretor de planejamento do BRDE, Leonardo Busatto. “Todo projeto tem que ser tecnicamente viável, ter segurança jurídica, uma relação risco-retorno condizente, porque o capital se move onde tem maior retorno frente ao risco”, disse.
Busatto explicou que a instituição tem um viés de incentivo ao desenvolvimento econômico e sustentável da região Sul. Nesse sentido, uma das áreas que o banco apoia é o setor de energias renováveis. Nos últimos dez anos, foram R$ 4,1 bilhões em investimentos em energia limpa.
Marcos Daruy, vice-diretor de Linhas de Transmissão do Sindienergias-RS, trouxe à tona o possível gargalo que o setor pode enfrentar. “A estimativa é que 3TW de energia renovável estejam barrados por falta de transmissão no mundo. Cerca de 80 milhões de km de linhas terão que ser substituídas ou implantadas até 2040 para alcançar as metas de redução de carbono. Nos acende uma luz amarela para que isso não ocorra.” Para ele, o caminho é o segmento trabalhar no planejamento para evitar que, no futuro, ocorra uma dificuldade de escoamento da energia.