A transformação da matriz energética do Rio Grande do Sul foi o tema do segundo painel da manhã no 5º Fórum de Energias Renováveis, organizado pelo Sindicato das Indústrias de Energias Renováveis (Sindienergia-RS) em parceria com o Correio do Povo. O debate foi realizado entre dirigentes de diversas áreas do Sindienergia-RS, mediado pelo coordenador do Comitê de Mercado Verde da entidade, Wolf Rowell.
Segundo ele, o objetivo do painel foi reunir especialistas das diversas fontes de energias renováveis e a vocação do Estado neste mercado. "Naturalmente, podemos nos beneficiar da diversidade do Brasil e do RS. Cada uma das fontes tem suas potencialidades e seus mercados. Nada melhor que todas as energias juntas para avançar", apontou.
Para o diretor de Eólicas do Sindienergia-RS, Guilherme Sari, o setor teve um papel essencial no RS nos anos 2000, mas perdeu espaço por conta da descontinuidade de políticas públicas. "Hoje, o Nordeste tem os principais players e criou um ambiente de negócios. É algo que estamos trabalhando para retomar no RS. Todas as fontes de energia vieram para ficar. A ideia aqui é de composição e não de briga entre as fontes. Existe uma oportunidade de tornar o RS uma referência pelo mix de fontes de energia", completou.
Já o vice-diretor de Transmissão do Sindienergia-RS, Marcos Daruy, reforço a importância de uma rede bem estruturada para atender a demanda das fontes renováveis. "Por caracteristicas, elas são diferentes do que estávamos acostumados no Brasil. Por isso, a transmissão é um dos principais gargalos da expansao das energias renováveis. Os investimentos são parte do caminho que devemos trilhar em direção à transição energética, pensando não apenas na resiliência", concluiu.
5° Fórum de Energias Renováveis
Para o diretor de Hídricas do Sindienergia-RS, Roberto Zuch, o setor é essencial para garantir a segurança energética do RS ao mesmo tempo que dá suporte para o desenvolvimento das demais fontes renováveis. "Indepentende de preferências, é preciso entender a dinâmica do sistema e da energia de base, como a hídrica. Hoje, o RS é quarto no ranking de produção energética por fonte hídrica. As hidroelérticas não possuem apenas capacidade de gerar energia, mas também de criar reservatórios, que ainda precisam de regulamentações", reforçou.
O diretor de Solar do Sindienergia-RS, Frederico Boschin, voltou a destacar a importância do investimento na estrutura da rede para permitir a transformação energética. "O setor elétrico é um time de futebol. Precisamos de todo mundo trabalhando junto. O apagão ibérico, na Espanha e Portugal, ocorreu em funçao de um problema de integração dos seguidores de rede com integradores de rede. Não existe transição energética sem transmissão de energia. Precisamos de um sistema robusto para evitar estes transtornos", salientou.
Para o diretor de Bioenergias do Sindienergia-RS, Luiz Antonio Leão, que já realizou projetos de geração de energia a partir de casca de arroz, 80% da produção de bioenergia a partir de biomassa acontece em São Paulo, com o uso dos resíduos da cana-de-açúcar. "O RS também tem potencial nisso. A maior dificuldade que tivemos foi em encontrar tecnologia e investidor. Hoje, temos um potencial enorme e estamos seguindo um caminho certo", completou.
Já o diretor de Hidrogênio Verde do Sindienergia-RS, Fernando Estima, destacou o empenho feito pelo governo do Estado no tema e salientou que é necessário fazer com que o RS seja autossuficiente em energia e que também consiga ter consumo local. "A pauta do hidrogênio verde é transversal dentro do governo, com várias secretarias envolvidas. Eu luto também por uma reindustrialização. Somos exportadores e temos energia. Precisamos utilizar tudo isso aqui", finalizou.