Fórum de Energias Renováveis

Produção de Hidrogênio Verde no Rio Grande do Sul depende de pesquisa e incentivos

Oportunidades e desafios serão aprofundados durante o 4º Fórum de Energias Renováveis

A produção a partir de energias renováveis é viável, mas ainda embrionária no mundo, podendo trazer desdobramentos para o mercado de exportação.
A produção a partir de energias renováveis é viável, mas ainda embrionária no mundo, podendo trazer desdobramentos para o mercado de exportação. Foto : Fabian Sommer / dpa / AFP

Com foco em discutir o cenário do setor de renováveis, o 4º Fórum de Energias Renováveis também vai abordar as possibilidades da indústria de hidrogênio verde no Rio Grande do Sul. O evento, com inscrições abertas, ocorrerá no dia 15 de agosto, no teatro do prédio 40 da PUCRS.

Por mais que ainda esteja distante da realidade, a produção em escala do “hidrogênio verde” — aquele gerado com uso de energias renováveis — é um assunto de relevância para o estado a longo prazo. O componente químico já é largamente utilizado na indústria, mas 99% do consumo mundial é de “hidrogênio cinza”, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Ou seja, o hidrogênio é separado a partir da queima de carvão ou do aquecimento a vapor do gás natural, o que libera subprodutos tóxicos na atmosfera.

A produção a partir de energias renováveis é viável tecnologicamente, mas ainda embrionária no mundo, podendo trazer desdobramentos para o mercado de exportação. O desafio, todavia, é equalizar o alto custo de produção, que torna o hidrogênio verde mais caro. Para resolver o problema, ainda é preciso muito investimento em pesquisa e desenvolvimento, além de investimentos em infraestrutura e incentivos fiscais para o setor.

Segundo um estudo da empresa de pesquisas sobre finanças energéticas BloombergNEF (BNEF), porém, até 2030 o Brasil pode produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo, sob o valor de US$1,45 por quilo, devido à alta capacidade instalada do país em energia solar e eólica.

Como um potencial líder nesta produção, muitas oportunidades de mercado se abrem para o Brasil, tanto na exportação do químico industrial como na produção de fertilizantes nacionais, por exemplo, uma vez que hoje o país importa 95% dos fertilizantes agrícolas devido ao alto custo de produção nacional, apesar de ser o 4º maior consumidor de fertilizante no mundo.

Para compreender melhor as oportunidades econômicas e benefícios ambientais do hidrogênio verde, é preciso entender como ele é gerado e quais as atuais e possíveis aplicações deste componente.


Aplicações do hidrogênio

O hidrogênio é um químico muito utilizado nas “indústrias pesadas”, como:

  • Siderúrgicas;
  • Fábricas de fertilizantes;
  • Fábricas de fibras e plásticos;
  • Fábricas de produtos de limpeza;
  • Fábricas de explosivos;
  • Produção de “gordura hidrogenada” na indústria alimentícia;
  • Sistemas de resfriamento.

Outras aplicações:

  • Combustível gerador de eletricidade para carros elétricos a motor (considerado menos eficiente quando comparado às baterias elétricas).
  • Vetor energético, capaz de armazenar energia.
  • Geração de energia elétrica (considerado menos eficiente quando comparado às fontes de energia usuais, como hidrelétricas, usinas solares e eólicas).

Como o hidrogênio verde é gerado?

  • Apesar de abundante no planeta, especialmente na água, o hidrogênio precisa ser separado a nível molecular para ser útil na indústria.
  • Para isso, são usados eletrolisadores, dispositivos movidos a energia elétrica capazes de fazer a eletrólise da água. Esse processo de reação química demanda alto gasto energético.
  • Quando os eletrolisadores são movidos a energia proveniente de fontes renováveis, então o hidrogênio é considerado verde e, assim, não há emissões de gases do efeito estufa envolvidas no processo.

Benefícios ambientais

  • A substituição em escala do hidrogênio cinza pelo hidrogênio verde permitiria a redução de toneladas de carbono e outros gases do efeito estufa que são emitidos na atmosfera;
  • Segundo informações da fabricante de fertilizantes verdes Atlas Agro, somente na produção de café do Brasil haveria uma redução de quase 60% da pegada de carbono ao alternar o fertilizante cinza importando para o nacional verde.