O Rio Grande do Sul possui um cenário favorável para o desenvolvimento de todas as energias renováveis, mas precisa de investimentos em linhas de transmissão, regulamentação, liderança e educação para atingir a autossuficiência. Esta foi a conclusão dos participantes do painel “Todas as Energias”, o primeiro do 6º Fórum de Energias Renováveis, evento promovido pelo Correio do Povo em parceria com o Sindienergia-RS, nesta terça-feira.
O mediador do encontro, o vice-presidente do Sindienergia-RS, Rafael Salamoni, começou lembrando que o Estado ainda importa cerca de 30% da energia que consome. “Como queremos segurança energética se não produzimos pelo menos a nossa necessidade de consumo no RS?”. Ele também afirmou que as energias renováveis ganham ainda mais importância num contexto de agravamento da crise climática.
O diretor de Eólicas do Sindienergia-RS, Guilherme Sari, falou sobre os desafios de trazer grandes investidores para o Estado a fim de torná-lo autossuficiente no setor. “Eu enxergo um momento diferenciado. Que vai fazer nos próximos anos, até 2030, ter investimentos fortes e bilionários no setor de energia eólica”.
A relevância que as hidrelétricas têm para dar segurança às demais fontes de energia foi lembrada pelo diretor de Hídricas do Sindienergia-RS, Roberto Zuch. Para ele, a desinformação da população a respeito do setor é um dos principais problemas para o desenvolvimento. “A solução passa muito por conhecimento, educação técnica e correta. Não se pode ver materiais de escolas dizendo que fontes poluentes são termelétricas e hidrelétricas. Se fala que fontes de energias renováveis são somente solar e eólica. Precisamos incorporar que as hidrelétricas também são.” Zuch lembrou ainda da longevidade, da constância e da origem nacional desse tipo de energia, que independe de fatores externos.
“É muito importante o redesenho do sistema de transmissão do Estado.” Esta foi a mensagem repetida pelo diretor de Transmissão do Sindienergia-RS, Frederico Behrends. Ele ressaltou a necessidade de expansão desse sistema e de se olhar o setor como estratégico para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. “Os desafios são muito grandes. Mas se todas as energias juntas olharem com o mesmo foco vamos ter o Estado sem dependência externa”, disse.
A união dos setores de renováveis também foi destacada pelo chefe de engenharia da Ocean Winds e diretor de Offshore do Sindienergia-RS, Guilherme Grossi. “A segurança energética do RS mora na complementaridade. O Estado tem vocação para todas as fontes renováveis e tem potencial enorme de crescimento”. Ele lembrou que um quarto do potencial de geração eólica offshore está no Rio Grande do Sul, mas carece de regulamentação. “A eólica offshore é um novo plano de industrialização. Não é só a comunidade costeira que vai ser impactada positivamente por um empreendimento desse porte. A gente vai provocar a possibilidade de produção de fertilizante nacional ter impacto direto na agricultura. A possibilidade da produção nacional de aerogeradores, de fundações, de torres, ter impactos na nossa siderurgia”, concluiu.
O diretor de Bioenergias do Sindienergia-RS, Luiz Leão, destacou o potencial gaúcho na geração de renováveis, principalmente do biometano. “Nós precisamos de mais liderança, fazer mais e discursar menos. Temos que ter ações concretas. O Rio Grande do Sul é privilegiado, nós temos água, vento, sol e ainda importamos 30% de energia”, disse.
Por último, o diretor de Solar do Sindienergia-RS, Frederico Boschin, chamou atenção para a necessidade de acessar capital de forma adequada e sugeriu um fundo constitucional no RS voltado ao setor de energia. “O Estado precisa pensar em um programa de aumento da sua independência, gerar sua própria energia. A gente tem capacidade de fazer isso, só precisamos de um plano mais organizado de lideranças”, finalizou.
Painel 1 - Todas as Energias
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O Fórum de Energias Renováveis é realizado pelo Correio do Povo e pelo Sindienergia-RS. O evento tem patrocínio de Corsan, BRDE, Senar, Sulgás e Governo do Estado do Rio Grande do Sul, com apoio do CIEE-RS.