Fórum de Energias Renováveis

União será necessária para buscar recursos para o Estado

Transição energética depende de investimentos, especialmente com o agravamento do problema de infraestrutura no Estado após as cheias

Tema foi tratado em um dos painéis do Fórum de Energias Renováveis
Tema foi tratado em um dos painéis do Fórum de Energias Renováveis Foto : Camila Cunha / CP

Ao discutirem as possibilidades de captação de investimentos para o RS, os participantes do 4 Fórum de Energias Renováveis, que ocorre nesta quinta-feira na PUCRS, concordam que é necessário planejamento e união. “Estamos trabalhando, de forma conjunta, para termos oportunidades de recursos com custos menores para tirar da prateleira projetos e colocar em prática”, declarou o deputado estadual Frederico Antunes, presidente da Frente Parlamentar Pró-Energias Renováveis.

Segundo ele, é necessária uma linha de financiamento para colocar implementar os projetos na área de energia que já estão licenciados. “Temos que ser mais objetivos. O Rio Grande do Sul tem argumento, que é a necessidade de reestruturar o Estado, que contribuiu e poderá contribuir mais com o país”, declarou. “As energias renováveis passam a ser um instrumento de harmonização do crescimento e de suprimento do que importamos de energia, que é em torno de 30% do que consumimos no RS”, afirmou Frederico Antunes.

Para o mediador do painel sobre o tema, Juliano Pereira, que é diretor-financeiro do Sindienergia-RS, é importante um movimento de simplificação dos processos burocráticos. “Por mais que a gente tenha recursos, é preciso fazer com que esses recursos cheguem ao nosso Estado.”

O Secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, salientou, durante o evento, que o setor de renováveis pode funcionar como uma “grande alavanca na reconstrução do Estado”. Na avaliação dele, o RS tem um grande potencial nessa área, devido à disponibilidade de recursos naturais. Porém, destacou a necessidade de união para realização de processos regulatórios e busca de investimentos.

Meio Ambiente

Sobre a questão dos entraves legais, a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, declarou que as energias renováveis estão presentes nas políticas públicas do RS, mesmo antes da tragédia climática. Segundo ela, ocorre uma revisão dos procedimentos licenciatórios e de zoneamento das áreas mais indicadas para os empreendimentos. “Temos um licenciamento ambiental desenhado na década de 1960, 1970, norteado sobre os pilares da Revolução Industrial. Estamos promovendo no RS, uma revisão e readequação ao período atual.”

A secretária disse que o governo tem avançado em termos de contrato para a transição energética justa, que considere os âmbitos social, econômico e ambiental. O uso do hidrogênio verde tem sido um dos focos na busca pela substituição gradual de fontes fósseis para renováveis. “Identificamos e selamos compromisso com empresas interessadas em desenvolver essa cadeia.”

Se referindo ao conflito que pode existir entre a produção agropecuária e o meio ambiente, Domingos Velho, diretor vice-presidente da Farsul, salientou: “Não existe forma de desenvolvermos as atividades econômicas (agro) que são responsáveis por mais de 45% do PIB gaúcho sem vincularmos à matriz energética”.

Conforme Velho, quatro em cada cinco seres humanos viverão em países importadores de líquidos de alimentos até 2030. “O setor agrário unido ao energético saberá aproveitar essa grande oportunidade que se avizinha ao Estado do RS”

Alexandre Curvelo, diretor do comitê jurídico do Sindienergia-RS, destacou os gargalos para os investimentos em empreendimentos. Observou que o Sindienergia-RS tem realizado estudos para buscar alternativas e trouxe duas possibilidades viáveis, mas que dependem de decisão politica: os fundos setoriais do setor elétrico e os fundos constitucionais.

“Existem recursos e existem investimentos, o que falta é um olhar mais empático para o RS”, falou Curvelo.