Economia

Federasul debate mercado de trabalho e renda

Prefeito de Bento Gonçalves criticou o programa Bolsa Família durante o Tá na Mesa

Diogo Siqueira afirmou que benefício tem que ser exceção
Diogo Siqueira afirmou que benefício tem que ser exceção Foto : Pedro Piegas

Crítico ao Bolsa Família, o prefeito de Bento Gonçalves, Diogo Siqueira, defendeu, nesta quarta-feira, no Tá na Mesa da Federasul, uma reformulação do programa. “Tem que haver algum benefício para as mulheres com filhos que não conseguem trabalhar, idosos que não conseguiram aposentadoria. O que não pode acontecer é ser uma regra como é hoje. Tem que ser exceção”, disse. Na opinião dele, quando surgiu, a política pública era para atender casos de extrema vulnerabilidade, porém atualmente “o programa é falho”. “É só dizer, com autodeclaração, que não tem uma renda fixa.”

Há cinco meses, ele começou a buscar pessoas que recebiam o Bolsa Família no município e a oferecer trabalho. “Sem burocracia. A empresa marca a entrevista de emprego para o mesmo dia. E levamos a pessoa no primeiro dia de trabalho.” Segundo ele, desde novembro do ano passado, 50 pessoas saíram do programa e ingressaram no mercado, uma redução de 25% no número dos que recebem o benefício na cidade.

Conforme Siqueira, dos municípios com mais de 100 mil habitantes, Bento Gonçalves tem o menor índice e o menor número de beneficiários do Bolsa Família. “Quem tem saúde, tem que trabalhar”, afirmou.

O jornalista e empresário, sócio-fundador da Critério Cleber Benvegnú também falou do assunto “Riscos ao Trabalho e à Renda”, destacando que há uma cultura de descomprometimento. “O trabalho está na raiz da existência humana e, quando trabalhar deixa de ser importante, porque tem um jeito de não trabalhar e receber o provento do Estado, aquilo que era uma assistência vira um assistencialismo. Aquilo que era uma libertação vira um aprisionamento, inclusive político. Esse assunto foi longe demais, comprometendo o próprio gasto público de um jeito gigantesco.”

Para o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, a agenda de 2025 e 2026 será decisiva, inclusive para este tema. “Precisamos enfrentar os grandes debates para que o Estado tenha um futuro próspero pela frente e não decadente e para que a gente tenha uma nova onda de migração e não de êxodo. Isso vai depender das nossas escolhas e decisões e do protagonismo que nós tivermos nos próximos dois anos”, comentou. “O que nos preocupa é o incentivo ao ócio, em que as pessoas preferem ficar em casa ganhando sem trabalhar.”

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