Economia

Federasul projeta PIB de 1,61% no Brasil e 3,02% no RS em 2026

A expectativa é de recuperação do Estado, analisa economista, com impulsionamento do agronegócio

Federasul apresenta balanço de 2025 e perspectivas para 2026 | Fernando Marchet, vice-presidente e coordenador do Núcleo de Economia da Federasul
Federasul apresenta balanço de 2025 e perspectivas para 2026 | Fernando Marchet, vice-presidente e coordenador do Núcleo de Economia da Federasul Foto : Camila Cunha

O Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) deverá chegar a 1,61% em 2026, com queda de 0,57% em comparação com este ano, sendo que 0,7% são voltados a medidas de incentivo ao consumo. A maior estabilidade nesse crescimento será no setor de comércio (59%), indústria (22,2%) e agropecuária (5,9%). Já o PIB do Rio Grande do Sul deverá atingir PIB de 3,02%, com crescimento de 1,27% em comparação com este ano, que chegou a 1,75%. É o que projeta a Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul). Os dados foram apresentados pelo vice-presidente e coordenador do Núcleo de Economia da federação, Fernando Marchert, em evento de balanço nesta quinta-feira, dia 11.

"A gente projeta uma safra estável, sem perdas, como El Niño e La Niña. A gente tem a estimativa de uma recuperação de uma queda do ano passado, com PIB do agro de 10%. Teremos o agro puxando o PIB do Estado, que sempre traz um efeito colateral positivo no setor de serviço", aponta, acrescentando uma recuperação também no setor de máquinas e equipamentos agrícolas.

A inflação brasileira deverá continuar elevada. Para 2026, a Federasul projeta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado de 4,5% para 2026, sendo 0,7% a mais do que este ano. Já para a taxa básica de juros (Selic), a projeção para até o final de 2026 é de 13%, com queda de 2% em comparação com este ano. O dólar americano deverá continuar elevado também, com projeção de 5,50.

Considerando o cenário global, o economista ressalta que, neste ano, o campo geopolítico foi fator de instabilidade no campo da economia internacional, influenciado por guerras locais, mas principalmente por ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas tarifas impostas aos países e seus interesses e arranjos com outros. A economia americana, sentindo esse movimento, pauta esse crescimento mundial, analisa.

A taxa de juros americana teve pequena redução, e as principais economias mantiveram o ciclo de cortes de juros ao longo do ano. Marchert apontou uma perda da força da moeda americana em relação ao mundo: o índice de força do dólar americano apresentou queda de 10% em 2025 em comparação com o ano passado.

A economia brasileira tem apresentado crescimento médio de 3,3% anual nos últimos cinco anos, analisa o economista. Esse cenário, aponta, se deve por pelo menos três fatores: gastos públicos do governo federal, com crescimento de 30%, nas transferências de renda para incentivar a população de baixa renda, com programas como o Bolsa Família; e o saldo da concessão de crédito, com variação de 27,7%.

Marchert salientou que nos últimos trimestres a economia brasileira vem desacelerando, com queda de 0,9% no terceiro trimestre deste ano. O número é justificado pelo esgotamento de estímulos à demanda, falta de disponibilidade de mão de obra, efeito da taxa de juros sobre a atividade e limitação fiscal. "As famílias estão endividadas e o acesso ao crédito está elevado. As pessoas estão empregadas, porque quem não está empregado temos beneficiários que têm transferência de renda. Esses canais aqui todos, eles já estão um pouco esgotados, porque o emprego vende muito bem no Brasil", aponta.

Com o menor nível de desemprego atual e a perda de ritmo da geração de empregos, aparecem limites nesse movimento. A taxa de desemprego, em agosto deste ano, estava em 5,4% no Brasil e 4,1% no Rio Grande do Sul.

Ainda, o aumento de gasto público que gerou um descompasso fiscal, mesmo com a expansão da arrecadação de impostos. Os estímulos fiscais geraram, portanto, um aumento da inflação. O processo levou o Banco Central a realizar cheques de juros, reduzindo a viabilidade de investimentos e contribuindo para desaceleração no consumo.

Cenário eleitoral

O cenário eleitoral também pode contribuir para o cenário no próximo ano. O economista defende que a decisão do próximo presidente deve ser definida com 2 ou 3% de diferença em favor de um ou outro. De acordo com a última divulgação do DataFolha, o governo Lula deve índice de 32% de positividade. A pesquisa da Atlas Intel aponta que os temas mais relevantes para a população são 77% voltado para economia, 55% para crime e segurança e 51% para a educação. Já os maiores desafios enfrentados, 41% tem relação com o alto custo de vida, 41% com insegurança e crime e 35% com baixa renda.

A empresa brasileira de pesquisa e mercado aponta, para o segundo turno, 49% para Lula e 47% para Tarcísio Freitas. Já o Instituto Veritá aponta dois cenários: 47,3% para Lula e 52,7% para Tarcísio, ou 50,4% para Lula e 49,6% para Flávio Bolsonaro. "Se o Lula tivesse um alto índice de aprovação, talvez o descuido fiscal, talvez a quantidade de dinheiro ou medidas para fiscais microeconômicas que eles queiram fazer durante 2026, que possa até ter um problema em 2027, fosse menor", analisa.

O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, destacou a evolução brasileira nos últimos anos e os desafios que o Estado passou, principalmente os climáticos, e pontuou a ação do bloco empresarial no papel de auxiliar na resiliência econômica. “Saímos do mapa dos investimentos do Brasil inteiro e, de repente, nos defrontamos com uma tragédia, com uma sequência de de eventos climáticos extremos, dividiram os produtores rurais, dividiram as empresas, secas, enchente, depois uma seca novamente, e agora a gente está sob o risco de que esses regramentos se transforme numa grande hemorragia. Cabe a nós, enquanto gaúchos, enfrentar essa situação”, afirmou.

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