Economia

Feira de empregos no bairro Navegantes em Porto Alegre tem como foco migrantes

A Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento intermediou neste ano 482 empregos no Brasil. No Rio Grande do Sul foram 14

A venezuelana Karla Andrades tem 35 anos e está no Brasil há seis anos
A venezuelana Karla Andrades tem 35 anos e está no Brasil há seis anos Foto : Camila Cunha

Segundo o Sistema de Registro Nacional Migratório (Sismigra), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, atualmente residem no Rio Grande do Sul 127.301 migrantes, refugiados e apátridas. A estimativa é de que em Porto Alegre exista 50 mil pessoas migrante e refugiadas.

O Feirão de Empregos realizado no bairro Navegantes, nesta sexta-feira, em Porto Alegre, teve como principal objetivo o atendimento a migrantes para encaminhamento a vagas de empregos e apoio para obter documentação. A ação é a terceira do ano, organizada pela Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento (PADF). Neste ano, a PADF já intermediou 482 empregos no Brasil, sendo 14 no Rio Grande do Sul.

A coordenadora do escritório regional da PADF, Fabiana Jorge explicou que a Fundação está atuando no Rio Grande do Sul através do programa Integrando Horizontes, focado no apoio a migrantes, principalmente venezuelanos, devido à crise migratória. Nesta quarta edição do evento, 11 empresas ofereceram 250 vagas de contratação imediata. Uma próxima edição está prevista para final de novembro, no bairro Sarandi.

O programa visa fornecer meios de subsistência e oportunidades de empregabilidade, apoia e realiza cursos técnicos profissionalizantes e de habilidades interpessoais.

Nesta quarta edição do evento, 11 empresas ofereceram 250 vagas de contratação imediata. Uma próxima edição está prevista para final de novembro, no bairro Sarandi | Foto: Camila Cunha

“O trabalho da PADF é sensibilizar as empresas justamente para que elas possam fazer a contratação do migrante de uma forma legal, dentro das regras e entendendo que eles não estão violando nenhuma regra”, considerou citando como exemplo a possibilidade de contratação sem documentos como título de eleitor ou certificado de reservista.

Fabiana também considerou a importância do migrante perceber que as vagas de emprego estão disponíveis para eles, e a necessidade das empresas em fazer campanhas com foco nessas oportunidades. Para facilitar o descolamento para os locais dos Feirões de Emprego, a PADF também organiza o transporte das pessoas. Os cadastros são realizados pelas Organizações não Governamentais (ONGs)

A venezuelana Karla Andrades, 35 anos, chegou ao Brasil há seis anos. Ela deixou para trás a Ilha de Margarita, maior ilha do estado Nueva Esparta, em busca de novas oportunidades. Assim como milhares de venezuelanos, ela enfrentou o desafio de reconstruir sua vida em um novo país, escolhendo Canoas como sua nova casa.

Karla que tem uma filha de oito anos é formada em ciências contábeis na Venezuela e busca sempre se aperfeiçoar. No próximo ano ela finaliza o curso de Recursos Humanos, realizado no Senac. “Gosto de estudar e aprender, faz parte de mim”, afirmou.

A migrante conseguiu realizar o sonho de financiar sua própria casa. No entanto, dois meses depois da sua mudança perdeu o emprego, devido a enchente. Agora busca uma nova oportunidade profissional. “Assusta bastante, é um compromisso grande, mas é uma conquista importante”, declarou.

Mesmo com as adversidades, ela não pensa em desistir e mantém o foco em construir uma vida melhor. “Temos sonhos a realizar e metas a cumprir. A vida traz desafios, mas também coisas boas para acrescentar”, refletiu ela.

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