Economia

Feira tecnológica em São Paulo antecipa tendências da automação e projeta chegada de produtos

Brasil em Código 2026 é organizada pela GS1 Brasil, gestora dos padrões dos códigos de barras oficiais utilizados por empresas

Brasil em Código, evento do GS1 Brasil, em São Paulo
Brasil em Código, evento do GS1 Brasil, em São Paulo Foto : Felipe Faleiro / Especial / CP

Tecnologia, inteligência artificial, sustentabilidade e automação foram alguns dos temas do Brasil em Código 2026, evento da Associação Brasileira de Automação (GS1 Brasil) realizado nesta quinta-feira, no Espaço Arca, em São Paulo, e que está em sua 14ª edição. Com palestras de executivos e personalidades, o evento foi marcado pela apresentação de soluções logísticas, do varejo e demais áreas econômicas, que desafiam uma economia cada vez mais conectada. A GS1 Brasil, órgão local da associação global GS1, é reconhecida por fornecer os padrões para o popular código de barras nas embalagens de produtos, contando com 62 mil empresas associadas, representando 37% do PIB nacional e 14% dos empregos formais no país.

O presidente da GS1 Brasil, João Carlos de Oliveira, celebrou o tamanho do evento e já projetou, para os próximos dois a três anos, a necessidade de buscar um outro local para sua realização. “Este está ficando pequeno”. “Temos um ecossistema muito grande presente. Novas empresas de novos segmentos estão entrando e já fazem parte de maneira bastante intensa dele. À medida em que mudamos o formato do evento, com as trilhas, há quatro anos, houve um upgrade. Há aqui startups, marcas próprias, mas principalmente fechadas grandes negociações”, comentou ele.

Sul com bom crescimento no portfólio de produtos

Um aspecto de interesse público da GS1 Brasil é o Índice de Diversificação de Portfólio de Produtos, lançado em julho e que captura, entre outros índices, a quantidade de produtos registrados pelas marcas conforme o segmento e a região geográfica, aferindo as 62 mil associadas do órgão, abrangendo 70 setores econômicos. No Sul, em julho deste ano houve um aumento de 13,1% no índice na relação com o mesmo mês do ano passado, e na comparação com junho de 2026, o aumento foi de 7,8%. A entidade observou que este crescimento evidencia aceleração na renovação de portfólio, reforçando a continuidade do processo de atualização da oferta de produtos.

Isto somente ocorre porque todo produto associado ao padrão GS1 acaba sendo cadastrado em sua base de dados. “O Sul tem sido a região mais estável, conforme nossa observação. Conseguimos prever com alguma antecedência a chegada de produtos no mercado”, disse Marina Pereira, head da área de Pesquisa & Desenvolvimento da GS1 Brasil. “Por exemplo, já começamos a ver uma chegada de produtos com a palavra Natal, ou seja, as empresas já estão pensando no final do ano”, acrescentou.

Marcelo Gleiser, palestrante: “Algoritmos da IA querem nos seduzir pelo afeto"

Palestrante no início do evento, o professor de Física e Astronomia no Dartmouth College, nos Estados Unidos, Marcelo Gleiser, defendeu o que chamou de “ressacralização” do planeta Terra. Ele estará em Porto Alegre na próxima terça-feira para um debate sobre o documentário A Dança do Universo, que conta sua trajetória na ciência.

“Antes da civilização moderna, há dez mil anos, a Terra era sagrada para os povos originários. Quando começamos a nos reunirmos em cidades, a gente foi perdendo este contato com a natureza. A gente não evoluiu assim, e não é que temos que sair das cidades, mas temos que recriar a natureza nas cidades, para que as pessoas possam ser mais expostas a ela”, afirmou Gleiser, também um dos principais divulgadores científicos do país.

De acordo com ele, para quem o transhumanismo, ou seja, um aperfeiçoamento do ser humano por meio da adoção crescente da tecnologia será a próxima tendência da evolução, a atual adoção da inteligência artificial “é diferente de todas das tecnologias que vemos hoje”. “Ela imita o ser humano. Antes, os algoritmos queriam nossa atenção. Agora, os algoritmos da IA querem nos seduzir pelo afeto. O ser humano precisa se relacionar. Quando há uma máquina capaz de fazer isto, e imitar o ser humano, a coisa fica complicada. O grande dilema agora é entendermos que estes algoritmos não são pessoas, não são inteligentes, não sentem nada, mas sabem se relacionar com a gente porque são essencialmente programadas para um espelho dos nossos corpos”.

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