A Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (Fetransul) apresentou sua avaliação institucional da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, 19, destacando que a malha rodoviária gaúcha permaneceu estável entre 2024 e 2025, porém em um patamar crítico, distante das condições necessárias para sustentar o desenvolvimento econômico e a competitividade do Estado. O levantamento analisou 8.813 quilômetros de rodovias no Rio Grande do Sul, abrangendo a totalidade das rodovias federais e os principais trechos estaduais, o que representa 7,7% da malha avaliada no Brasil.
Malha federal
O recorte por tipo de gestão evidencia diferenças importantes. A malha federal no Rio Grande do Sul apresentou desempenho relativamente superior, com 37% da extensão classificada como ótima ou boa em 2025, embora 50% ainda estejam em condição regular. Já a malha estadual permanece como o principal gargalo, com apenas 10,1% em condição ótima ou boa e cerca de 49,1% da extensão classificada como ruim ou péssima, cenário que compromete a fluidez logística e amplia desigualdades regionais.
Diante desse contexto, a Fetransul defende a implementação de uma política permanente de infraestrutura rodoviária, com fontes estáveis de financiamento, planejamento de longo prazo e gestão eficiente. A entidade reforça que estradas em boas condições são decisivas para reduzir custos logísticos, aumentar a segurança viária, fortalecer a competitividade do setor produtivo e acelerar a agenda de descarbonização do transporte rodoviário de cargas no Rio Grande do Sul.
Na avaliação geral do Estado, 27% da extensão avaliada foi classificada como ótima ou boa em 2025, ante 24% em 2024. Apesar da leve melhora, 47% da malha segue em condição regular, enquanto 26% permanecem em situação ruim ou péssima, o que indica ausência de mudança estrutural consistente.
Malha geral do Rio Grande do Sul:
- Ótima + Boa – 24% em 2024 e 27% em 2025
- Regular – 48% em 2024 e 47% em 2025
- Ruim + Péssima – 28% em 2024 e 26% em 2025
Redução de pontos críticos
Um dos principais avanços identificados pela Pesquisa CNT foi a redução expressiva dos pontos críticos nas rodovias gaúchas, que passaram de 144 registros em 2024 para 81 em 2025. Houve queda em ocorrências como buracos de grande porte, erosões de pista e quedas de barreira, reflexo de ações corretivas adotadas ao longo do último ano.
A maior parcela da malha federal permanece enquadrada como regular, representando 50% da extensão em 2025. Os trechos classificados como ruins ou péssimos recuaram de 15% para cerca de 13%, mantendo-se como fator relevante de impacto nos custos operacionais do setor.
Quase metade da malha estadual segue em condição ruim ou péssima, somando 49% em 2025, enquanto os trechos regulares representam 41%. Para Francisco Cardoso, “esses números evidenciam a ausência de evolução estrutural significativa e reforçam a necessidade de um programa robusto e contínuo de recuperação da malha estadual”.
Infraestrutura rodoviária agrava custos e limita competitividade
A Pesquisa CNT também evidencia que 73% da malha rodoviária avaliada no Rio Grande do Sul está classificada como regular, ruim ou péssima, percentual superior à média nacional, que é de 62%. Esse cenário resulta em impacto direto de 37% no custo operacional do transporte, consumo adicional estimado de 105,5 milhões de litros de diesel por ano e um prejuízo anual de R$ 624,6 milhões ao setor no Estado .
Mesmo com o Índice de Expectativas atingindo 51% no segundo semestre de 2025, a Fetransul avalia que o resultado reflete mais uma estratégia de resiliência interna das empresas do que otimismo com o ambiente macroeconômico, reforçando a necessidade de políticas públicas estruturantes para infraestrutura, economia e logística.