Economia

Fiergs projeta redução do ritmo de crescimento da economia gaúcha e brasileira

Federação divulgou balanço da economia este ano e as perspectivas da para 2022

Com a expectativa de que a taxa de crescimento do PIB desacelere no Brasil e no Rio Grande do Sul, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) divulgou hoje balanço da economia este ano e as perspectivas da para 2022. De acordo com a entidade, a taxa de desemprego elevada e a permanência das interrupções nas cadeias de fornecimento - aliadas aos menores estímulos fiscais - vão diminuir o ritmo de crescimento. Segundo a entidade, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é de crescimento de 4,6% este ano e 1,0% em 2022, puxado principalmente pela agropecuária.

Para o Rio Grande do Sul, a entidade prevê avanço do PIB de 9,6% em 2021 e 1,6% em 2022. A Fiergs avalia que o desempenho da economia no Estado deve ser puxado com a maior normalização das cadeias produtivas, pela manutenção do cenário de retomada cíclica nos segmentos exportadores e aqueles associados à agricultura - cujas projeções apontam para boa safra de grãos. Ao apresentar os estudos da entidade, o economista André Nunes de Nunes explica que a retomada da economia vem acompanhada da alta da inflação, no que classificou como 'descasamento entre oferta e demanda'. Conforme Nunes, a expectativa para a taxa de câmbio no final de 2022 aponta para o patamar de R$/US$ 5,50.

Mesmo com esse cenário, com patamar mais elevado da taxa de juros doméstica, que deverá alcançar 11,75% ao final de 2022, Nunes afirma que a inflação medida pelo IPCA deverá encerrar 2021 em 10,1%, com a expectativa de desaceleração para 5,8% no final de 2022, sendo que a convergência para o centro da meta (3,25%) só deverá ocorrer em 2023. Ele destaca que o aumento da gasolina, da energia elétrica e do gás e a desvalorização cambial refletiram na economia. "A inflação em 12 meses atingiu o maior patamar em 5 anos", observa. Apesar da desaceleração do ritmo de crescimento, a expectativa é de criação de 614 mil empregos formais em âmbito nacional.

Para a economia gaúcha, a projeção é de criação de 29 mil postos de trabalho em 2022, dos quais 9 mil na indústria. Na avaliação do presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry, as ações adotadas pelo governo federal, como a manutenção do Auxílio Emergencial, foram importantes para conter o impacto provocado pela pandemia do novo coronavírus, mas 'têm um custo' para a União. "É necessário o controle da equipe de governo nessa questão dos valores colocados à disposição, que é importante, mas que tem componente inflacionário muito importante", destaca. Para 2022, Petry avalia que a inflação deve ficar em 5,5%.

O dirigente reconhece os impactos da inflação nos custos de produção e na deterioração do poder de compra dos consumidores, principalmente por conta dos custos de matérias-primas e dos preços de commodities. Sobre o cenário mundial, Petry afirma que o Brasil tem um parque industrial diversificado, com fábricas em condições de produzir em margem maior. "A pandemia mostrou uma coisa clara, que o mundo não pode ficar na dependência da China como grande 'almoxarifado' do mundo", avalia.

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