O Salão de Convenções da sede da Federação das Indústrias do RS (Fiergs), em Porto Alegre, recebeu, nesta quarta-feira, o evento Indústria Tri Consciente, voltado às experiências sobre os desafios e oportunidades na área industrial dos segmentos de gestão ambiental e uso consciente dos recursos naturais. Na abertura, o vice-coordenador do Conselho de Meio Ambiente (Codema) da entidade, Enio Garcia, disse que “a indústria gaúcha demonstrado de forma consciente o compromisso com a produção sustentável com eficiência e visão de longo prazo”.
“Em um contexto de mudanças climáticas cada vez mais concretas, a sustentabilidade deixou de ser tema paralelo e passou a ser um tema que vai integrar as estratégicas do setor”, comentou ele em seu discurso. Ainda segundo Garcia, a competitividade da indústria no século XXI depende diretamente da sua capacidade de integrar inovação, uso eficiente de recursos naturais e redução de emissões. O primeiro painel do dia, sobre Cenários e tendências da indústria sustentável, trouxe representantes de demais comitês relacionados. Daniela Cardeal, presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do RS (Sindienergia-RS) e conselheira do Conselho de Meio Ambiente (Codema), salientou que a sustentabilidade evoluiu de uma antiga imposição de nicho para um compromisso inegociável, exigindo o equilíbrio constante entre os pilares econômico, social e ambiental.
“A sustentabilidade hoje em dia é um dever das pessoas e um compromisso. Ela já é muito mais perceptível do que uma imposição que estava sendo feita por um grupo pequeno, que era o que acontecia há algum tempo. Precisamos compor impactos positivos ambientais, sociais e econômicos, ou não conseguiremos entregar o legado que os nossos filhos merecem”, afirmou ela.
O Sistema Fiergs promove o evento Indústria Tri Consciente para impulsionar o desenvolvimento sustentável da indústria gaúcha
Rafael Sacchi, coordenador do Conselho de Assuntos Tributários, Legais e Cíveis (Contec) e presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem em Geral no RS (Sicepot-RS), afirmou que a infraestrutura, aliada à energia barata e sustentável formam os grandes diferenciais competitivos da atualidade, e que “a indústria, sendo o grande motor do planeta, não pode mais ser vista como a vilã do meio ambiente”, porém precisa liderar pelo exemplo, deixando um legado positivo para as próximas gerações.
“A Terra não vai acabar do dia para a noite. O efeito estufa não mata o planeta, mas mata quem está no planeta. Somos inquilinos do nosso ambiente. Não vamos parar de produzir o que produzimos por ser poluente, mas temos que auxiliar internamente na busca por soluções que tornem nosso negócio sustentável em todos os aspectos, que gerem mais qualidade de vida, economia circular e o reaproveitamento de materiais”, afirmou Sacchi.
Eduardo Machado, coordenador do Comitê da Indústria Mineral (Comin) e presidente do Sindicato da Indústria da Mineração de Brita, Areia e Saibro do RS (Sindibritas-RS), comentou também o cenário geopolítico. “Não há mais espaço para crescimento, desenvolvimento, sem que isso seja uma pauta de fato para o DNA das empresas. Há uma notícia ruim e outra boa; a ruim é que ainda somos um país em desenvolvimento, e a boa é que isto nos dá muitas oportunidades de crescimento acima dos demais. Precisamos ter paz de espírito e fazer o que for possível dentro das tecnologias e práticas disponíveis”, disse Machado.