O comércio de Porto Alegre se prepara para um pico de movimento nos últimos dias antes do Dia dos Pais, comemorado no domingo (10). Levantamentos do Sindilojas e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL POA) indicam que a maior parte das vendas deve se concentrar no fim de semana. Já o Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas) tem expectativa de que a data vai injetar R$ 192 milhões na economia local.
Segundo o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, de segunda até o domingo da data, mais de 80% das transações devem ser realizadas. “A tendência é que o fim de semana seja o período mais intenso. A maioria prefere comprar em lojas físicas, e isso fortalece o comércio presencial nos últimos dias”, afirma.
A pesquisa da entidade mostra que 88% dos consumidores pretendem adquirir os presentes presencialmente, enquanto apenas 12% devem recorrer às compras pela internet. Entre as razões para a escolha, está a busca por manter a surpresa para quem recebe o presente, especialmente nos casos em que filhos moram com os pais e querem evitar que a entrega revele a compra antes da hora.
Os dados do CDL POA confirmam a concentração de compras na reta final. Cerca de 59% dos consumidores da Capital devem escolher o presente na semana da comemoração, 9,5 pontos percentuais acima do registrado no ano passado.
O economista-chefe da entidade, Oscar Frank, avalia que o consumidor está mais criterioso e quer presentear mais pessoas, mas com orçamento controlado. “Se analisamos os atuais vetores do cenário econômico, temos elementos de alta e de baixa. Em alta, o mercado de trabalho permanece bastante aquecido e com incentivos ao consumo por parte do governo federal, que atua para complementar a renda disponível por parte das famílias. Entre os vetores de baixa, temos a inflação elevada, os juros altos e todas essas turbulências do ponto de vista comercial e político. São questões que estão presentes e acabam pesando na intenção e na disposição dos consumidores”, detalha.
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Presentes mais procurados
Roupas seguem como o presente preferido tanto para quem compra quanto para quem recebe. A pesquisa do Sindilojas aponta que 35,1% dos entrevistados pretendem presentear com peças de vestuário, enquanto 30% dos pais manifestaram desejo de ganhar roupas. Em seguida, aparecem cosméticos e perfumaria, calçados e bebidas.
Um dado curioso é a troca de posições no segundo lugar. Filhos mostram maior intenção de comprar calçados, enquanto pais se dizem mais interessados em itens de beleza e higiene.
Neste ano, 71% dos porto-alegrenses devem comprar presentes para o Dia dos Pais, de acordo com a CDL POA. Mais de um terço deles afirma que irá presentear duas ou mais pessoas, mantendo estável o tíquete médio do presente principal. A maior parte (38,1%) deve gastar entre R$ 101 e R$ 200, enquanto 14,6% planejam desembolsar de R$ 201 a R$ 500.
O Sindilojas projeta tíquete médio de R$ 250, valor que pode ser superado em alguns segmentos. Entre as formas de pagamento, o cartão de crédito parcelado lidera (25,9%), seguido do débito (23,5%) e do pagamento à vista em dinheiro (20,8%) ou via Pix (18,2%).
A preferência por comprar no comércio local é alta: 87,1% dos entrevistados pelo Sindilojas disseram que irão priorizar empresas da cidade. Em relação ao local de compra, houve uma inversão de tendência e as lojas de shopping voltaram a liderar, com 39,1%, seguidas pelas de rua (35,3%) e pelo e-commerce (12,8%). Entre os canais online, o site da loja (45,1%) e os aplicativos próprios (40,3%) são os mais utilizados.
A inflação, no entanto, impõe desafios ao varejo. Levantamento da CDL POA, com base no IPCA do IBGE, mostra que 28 dos 49 itens ligados à data tiveram alta superior à inflação geral de 4,85%. Em 16 deles, o reajuste foi acima de dois dígitos. O café moído lidera com disparada de 94,1%, seguido por cortes de carne como alcatra (+19,6%) e contrafilé (+18,1%).
No ano passado, o comércio chegou ao Dia dos Pais embalado por uma campanha de incentivo às compras no comércio local, principalmente por conta da etapa de recuperação das enchentes, que ajudou a impulsionar as vendas em mais de 26% em relação a 2023, segundo dados do Sindilojas. Neste ano, a expectativa é consolidar o crescimento registrado desde o início de 2025, com bons resultados em todas as datas comemorativas.