Em 31 de dezembro de 2025, o serviço postal oficial da Dinamarca realizou seu último expediente da história. Depois de 400 anos de existência, a empresa encerrou suas atividades sob o argumento de que entregar cartas havia se tornado economicamente inviável para o país.
No Brasil, em paralelo, as correspondências atravessam uma crise econômica que já acumula R$ 6 bilhões de prejuízo no último ano, mas a comparação com o caso dinamarquês esbarra em um limite decisivo: a distância entre os dois cenários não é apenas geográfica, mas estrutural, e revela os desafios de manter um serviço essencial quando ele deixa de ser lucrativo.
Diante das inúmeras controvérsias que cercam a crise dos Correios, o Correio do Povo buscou compreender se a decisão nórdica aponta um caminho possível para o futuro da estatal brasileira e encontrou os seguintes pontos fortes e problemas na operação.
Vantagens estratégicas do serviço estatal brasileiro
Desafios enfrentados e revezes econômicos
Na Dinamarca, a justificativa para o encerramento foi a queda de 90% no volume de cartas nos últimos 25 anos, segundo declaração oficial, atribuída principalmente ao processo de digitalização da comunicação. Para quem ainda deseja se comunicar por correspondências físicas, a solução proposta pelo governo é recorrer a empresas privadas que atendam a essa demanda residual.
Entretanto, do outro lado do Atlântico, a crise postal brasileira tem outra natureza. Enquanto a busca por cartas foi drasticamente reduzida no país ao norte do globo, os Correios ainda registram diariamente a entrega de mais de 8,45 milhões de objetos postais em 5.567 municípios, o que representa 99,95% do território nacional, segundo informações do Relatórios de Gestão da empresa.
Ainda assim, para comparar os cenários, é preciso olhar além do volume de cartas. A priori, a Dinamarca possui menos de 43 mil km², território seis vezes menor que o estado do Rio Grande do Sul, além de uma infraestrutura digital já consolidada. Há anos, o governo nórdico tem migrado serviços públicos para o ambiente online, concentrados em plataformas eletrônicas. Mesmo assim, a deliberação gerou preocupações com grupos menos familiarizados com tecnologia.
Um país conectado não é, necessariamente, um país plenamente digital
Embora o acesso à internet tenha se tornado comum nos domicílios brasileiros, isso não significa que a população esteja, de forma uniforme, pronta para substituir o canal físico por soluções digitais.
Presente em 93,6% das residências, como informa a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2024, o “estar online” faz parte do dia a dia de muitas pessoas no país. Como explica André Pase, doutor em Comunicação Social pela PUCRS, o brasileiro é um entusiasta em novas tecnologias e rapidamente abraça as novidades do setor, mas estar conectado não é sinônimo de dominar as ferramentas.
O professor usa o exemplo do ChatGPT para ilustrar o fenômeno. Há pelo menos três anos o país vive o auge da inteligência artificial generativa. O tema está presente em rodas de conversa no trabalho, na universidade e em casa, mas são poucos os usuários que têm condições técnicas de usufruir dela plenamente.
“Incorporar no imaginário não é o mesmo que ter acesso na prática”, afirma.
Existe um nítido distanciamento entre possuir um aparelho celular de uso diário e depender deste para solução de serviços civis e ao exercício integral da cidadania. Pase salienta ainda que a popular troca mensagens com a família e os amigos no Whatsapp integra o direito de comunicação inerente ao indivíduo, assim como a carta física, mas o significado social da correspondência evolui com a integração da digitalização.
“Desde cartões de Natal que foram substituídos por mensagens no WhatsApp, e-mails e afins, mas que na contramão, se você recebe um cartão de Natal de alguém, isso tem um outro sabor hoje, tem um outro tom”, observa.
Nesse sentido, atualmente, a carta em papel tende a carregar mais apelo afetivo do que prático. Retomando o caso da Dinamarca, o Ministério dos Transportes do país admitiu que a perda do serviço postal é, em parte, “sentimental”, segundo o relato da imprensa local.
O Brasil que ainda depende do papel
Por aqui, o serviço postal operado pelos Correios faz parte de uma engrenagem de interesse público, que sustenta sua função social e vai além da ordinária troca de mensagens. É por meio do serviço da estatal que são entregues comunicações formais de órgãos públicos, como notificações, cobranças, comunicados e documentos oficiais.
Em complemento, Pase ressalta que a correspondência institucional continua relevante, especialmente para populações com menor letramento digital ou que dependem do papel como registro documental.
“Mesmo em um mundo em que 100% das pessoas usassem caminhos eletrônicos, eu teria que ter uma estrutura para garantir que essas pessoas tivessem esse acesso”, afirma.
Na avaliação do professor, a relação com a tecnologia, acelerada pela pandemia, se intensificou no mundo inteiro a ponto de, hoje, parecer ilusório não contar com o uso da internet no cotidiano. Ainda assim, a migração para canais digitais não ocorre de modo homogêneo, e precisa enfrentar barreiras de acesso, familiaridade e autonomia de uso que recaem de forma diferente entre faixas etárias e perfis socioeconômicos — e quem está na pont a do serviço também percebe esse contraste.
O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do RS (Sintect-RS), Alexandre Nunes, relata que, em tempos de Covid-19, quando foi incentivado o uso de canais digitais para a emissão de faturas de serviços como água e energia elétrica, a fim de evitar deslocamentos e aglomerações, quem mais ficava “irritado e chateado” com a situação era o público mais velho.
“Não bastam só novas ferramentas. Tem que ter um avanço geracional também para a implementação delas”, indica.
Enquanto a discussão sobre tecnologia expõe quem fica à margem do universo digital, o economista e professor da Universidade La Salle Moisés Waismann ressalta que deve-se adicionar à equação a atual estrutura física dos Correios, que segue como uma peça estratégica do Estado.
Além das comunicações oficiais, a estatal também executa grandes operações logísticas associadas a políticas públicas, como a distribuição de livros didáticos, provas nacionais e medicamentos, viabilizadas pela presença nacional e uma ampla rede de pontos de entrega espalhados pelo país.
Tal capilaridade e domínio do território respondem ao princípio constitucional de universalização do serviço postal. Na leitura de Waismann, a alta densidade de distribuição é um ativo construído ao longo de mais de 360 anos de atuação e que não deveria ser tratada apenas como custo. Ele caracteriza a estatal como patrimônio nacional e ressalta que a estrutura permite ao Estado “pulverizar” serviços no país, mesmo diante de sua extensão e de suas desigualdades.
Contudo, para que essa rede seja viável e rentável, o economista explica que os Correios operam com um modelo de subsídio cruzado, em que agências lucrativas, principalmente localizadas em grandes cidades, sustentam agências deficitárias em municípios menores.
Do ponto de vista empresarial, porém, esse modelo apresenta desafios. Gustavo Moraes, coordenador do programa de mestrado e doutorado em Economia da PUCRS, aponta que mesmo entre os poucos postos que geram lucro ainda há dependência da venda de produtos não relacionados à atividade final dos Correios, como Telesena, celulares e itens de apostas.
“Eles aproveitam o ponto de venda, a circulação de pessoas, para tentar fazer um encaixe. Isso já é uma demonstração cabal de que a atividade dos Correios no Brasil é inviável”, avalia o economista.
O diagnóstico de Moraes, portanto, contrasta com a ideia de que a “função social”, por si só, justificaria a operação deficitária. Para ele, “o pensamento de que estatal não foi feita para dar lucro está, na verdade, contribuindo para gerar grandes prejuízos às estatais brasileiras. Por mais benefícios que se entregue, é preciso fazer esse cálculo de custo-benefício claramente”.
O ex-presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, já havia defendido que o papel público precisa ser considerado no debate sobre crise. “Não sei se a nossa missão é ter lucros, mas é estar em todos os locais e atender bem a população”, disse à revista Veja. “O nosso grande objetivo é fazer isso de forma sustentável, com as despesas e receitas em equilíbrio. Se fosse só para ter lucro, fecharíamos várias agências e pronto.”
Como mencionado anteriormente, essa função pública se materializa também fora da logística de entrega. Em 2024 e 2025, quando milhares de aposentados descobriram ter sido vítimas de fraudes em empréstimos consignados, agências dos Correios passaram a funcionar como pontos de atendimento para orientar e encaminhar a resolução dos casos, por meio de uma parceria de cooperação técnica com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A operação demonstrou, na prática, o impacto de ter 10.697 unidades de atendimento distribuídas pelo país. “A capilaridade dos Correios é útil para universalizar qualquer serviço”, observa o secretário-geral da Sintect-RS. O aproveitamento dessa estrutura como ponto de serviço do governo também é indicado por Waismann como um caminho possível na reestruturação diante da crise que acomete a estatal.
A crise de uma “operação deficitária”
Para dimensionar a situação atual e entender sua complexidade, é preciso olhar para a crise como um processo, e não como um evento isolado. Longe de representar uma circunstância repentina, os entraves econômicos da estatal se arrastam há mais de uma década, entre períodos de altos e baixos.
Pelos registros das demonstrações contábeis da empresa, a sequência de resultados já indicava pressão antes do grande rombo: em 2013, os Correios registraram prejuízo de R$ 213 milhões; em 2014, o saldo negativo foi menor, de R$ 20,3 milhões. Ainda assim, o ponto de virada aparece em 2015, quando a empresa alcança, até então, o pior resultado econômico de sua história, com prejuízo de R$ 2,1 bilhões, um marco que expõe as fragilidades acumuladas na estrutura e na gestão das atividades.
Na prática, o resultado não representa apenas um ano ruim, mas um lembrete de que a conta da operação começava a não fechar. A crise passa a ser descrita como uma operação deficitária não só pelo tamanho do dano, mas pela recorrência de um desequilíbrio que compromete a margem para investimento e modernização da estrutura.
Todavia, Gustavo Moraes pondera que esse tipo de dado precisa ser interpretado com cuidado, porque déficit e inviabilidade são conceitos distintos. Ele explica que o déficit é o retrato do orçamento de um ano, enquanto a viabilidade econômica se mede pela capacidade de a empresa se manter ao longo do tempo, investir e reinvestir. “Você pode ter débito momentâneo e ainda assim ser viável economicamente”, resume.
É o que prova o histórico econômico da empresa. Após uma sequência de prejuízos entre 2013 e 2016, a estatal atravessou um ciclo de resultados positivos entre 2017 e 2021, antes de voltar ao vermelho em 2022 e 2023 e aprofundar as perdas em 2024, quando o prejuízo chegou a R$ 2,6 bilhões. Para Moraes, esses ciclos não significam que a crise “vai e volta do nada”; indicam que a empresa até pode respirar em certos momentos, mas segue vulnerável quando o contexto muda ou os objetivos deixam de acompanhar a realidade do setor.
Nesse quadro, é essencial considerar também o fator político, pois o desempenho é cruzado por diferentes orientações e decisões governamentais que impactam a capacidade de planejamento. O ponto aqui não é reduzir os dados a governos específicos, mas reconhecer que uma estatal como os Correios não opera de forma isolada.
Há ainda outra camada que pesa na equação, ligada ao desenho da operação e às obrigações trabalhistas, considerada por alguns a variável que mais pesa no debate. Moraes chama atenção para a estrutura de funcionamento, distribuída em uma extensa rede de unidades e um quadro expressivo de trabalhadores próprios - mais de 80 mil funcionários - enquanto concorrentes atuam, em geral, com terceirizados.
Para ele, “os Correios não se adaptaram aos novos tempos, seja do ponto de vista operacional ou administrativo”.
A mudança do eixo: uma súbita esperança
Depois de mais de 300 anos de monopólio no serviço postal, os Correios precisaram enfrentar um desafio que transformou seu sentido de negócio. Enquanto na Dinamarca a crise se concentra no colapso do volume de cartas, no Brasil, embora as correspondências também tenham perdido o ritmo, a pressão se deslocou para o eixo das encomendas, que se tornou o mercado mais disputado e com maior potencial de crescimento.
Porém, essa virada não ocorreu do nada. De acordo com o Observatório do Comércio Eletrônico Nacional, o e-commerce brasileiro mais que quintuplicou desde 2016. Ainda na pandemia, com a popularização das compras online, o sindicalista Alexandre Nunes explica que a demanda “veio quase que exclusivamente para os Correios”, o que exigiria investimentos que, segundo ele, não ocorreram na escala necessária. Em seu entendimento, o problema é que naquele período a estatal convivia com incertezas institucionais e restrições de recursos devido ao Programa Nacional de Desestatização (PND). Em contrapartida, o mercado se reorganizava rapidamente.
Os sinais da mudança de foco já eram sentidos pelos indicadores operacionais. Conforme relatórios de gestão dos Correios, até 2018 o volume de cartas superava o de encomendas. Em 2019, pela primeira vez, as encomendas entregues pela empresa ultrapassaram as mensagens. Para os economistas consultados, aquele era o sinal mais nítido de que o “core” do serviço havia mudado e de que a ação esperada seria investir em logísticas para aprimorar o novo serviço pensando em uma agenda de sobrevivência competitiva, especialmente com gigantes internacionais de olho na estrutura brasileira.
No momento descrito como “uma súbita esperança” por Moraes, as redes dos Correios foram essenciais para a importação de pequenos produtos a partir da China por plataformas que ainda não tinham capilaridade própria. “A Shopee não tinha uma estrutura de entrega pronta para o Brasil e acabou se ancorando na estrutura dos Correios. Isso deu uma sobrevida”, afirma. Para ele, a janela existiu, mas foi curta. “Mesmo com toda a agenda desatualizada, os Correios ainda tiveram uma chance naquele momento. Essa chance hoje parece desperdiçada.”
A transição também passou a ser moldada por decisões regulatórias. Em 2024, a estatal precisou lidar com o programa federal “Remessa Conforme”, que formalizou a tributação de 20% para compras de até US$ 50 em remessas internacionais, além do ICMS. A medida ficou popularmente conhecida como a “taxa das blusinhas”.
Segundo apuração com informações da CNN, os Correios calcularam que o programa reduziu a arrecadação da empresa em R$ 2,2 bilhões em 2024. A estatal estimava arrecadar R$ 5,9 bilhões com o transporte de compras importadas da China, mas registrou R$ 3,7 bilhões, uma queda de 37%. Antes da publicação do valor total do rombo naquele ano, a empresa enviou uma nota ao jornal Valor Econômico explicando a situação.
“A entrada em vigor do Programa Remessa Conforme trouxe mais transparência, controle e agilidade para a entrada de encomendas importadas. [...] Por outro lado, causou uma queda no fluxo de importações e a quebra da exclusividade dos Correios, o que impactará diretamente a receita da empresa na ordem de R$ 2,2 bilhões no segmento internacional”, disse a empresa em nota.
Já no início de 2025, o então presidente da estatal afirmou que uma das justificativas para o valor oficial do déficit, que bateu R$ 3,2 bilhões em 2024, foi a precarização ligada ao processo de preparação para privatização no governo anterior. Ele também retornou a associar o resultado ao impacto das compras internacionais após a mudança regulatória.
A “lei do mais forte”
Diante da disputa em torno do mercado das encomendas, surgem oportunidades e conflitos. Mesmo com parcerias com empresas privadas, como o Mercado Livre, Moisés Waismann observa que a logística e a frota dos Correios sustentam a distribuição de mercadorias, mas que, “por decisões do Estado brasileiro”, parte do transporte passa a ser feita por outros. O resultado, em sua leitura, é um desequilíbrio difícil de corrigir. “Imagina que você tem um negócio, e aí a parte mais lucrativa disso você deixa que outros o façam, e fica com a parte mais custosa da operação”, elabora.
Aqui então a capilaridade volta ao centro do debate, agora como limite e como “trunfo”. Retomando a fala de Alexandre Nunes, do Sintect-RS, os Correios “cumprem o papel de democratizar”, sobretudo fora dos grandes eixos econômicos. O sindicalista completa que, mesmo onde empresas privadas operam, a rede pública segue como solução alternativa.
“Onde o Mercado Livre não tem entrega, essas cidades que não dão lucro, eles vão e postam nos Correios”, destaca.
A partir desse ponto, Waismann retoma o debate sobre desigualdade, lembrando que há serviços que, por muito tempo, não foram atraentes ao setor privado e acabaram assumidos pelo Estado. Mas quando o mercado muda e o lucro passa a orientar o interesse pela operação, o risco é que a lógica de cobertura também mude.
Diante desse cenário, ele chama atenção para o custo de abrir mão mesmo que de parte do serviço. “Cada vez que a gente possibilita que um terceiro faça o meu serviço, eu sou obrigado a constituir um setor que vai fiscalizar esse terceiro”, afirma. E usa a internet como comparação para ilustrar o desnível de acesso.
“Se quem trafega mais e melhor é quem tem mais dinheiro, quanto tempo será que vai demorar para chegar uma carta social?”, especula.
Esse conflito também influencia a percepção pública da empresa. A imagem de capilaridade e confiança convive com o desgaste provocado por resultados negativos, denúncias, atrasos e incertezas sobre o futuro. Nessa zona cinzenta, a privatização volta e meia retorna ao centro da conversa e alimenta a curiosidade sobre o que mudaria na prática.
Atualmente, como explica Gustavo Moraes, o valor dos Correios não está apenas no serviço final, mas na estrutura territorial que garante presença nacional. “Qual que ainda é o grande valor dos Correios? Os pontos de venda”, diz. “Me parece então que se privatiza não a empresa Correios, mas a chance de alguém ter pontos de venda em todas as cidades brasileiras”. Ele acrescenta que dificilmente uma empresa privada teria a mesma cobertura em termos de municípios espalhados pelo país, ainda que, em sua visão, pudesse prestar um serviço melhor.
Do ponto de vista sindical, porém, a privatização não é apenas uma hipótese econômica, mas um tema histórico. Nunes lembra que a trajetória do Sintect-RS é marcada por esse enfrentamento e a luta histórica contra as privatizações. Para ele, a empresa “tem uma série de papéis” e a discussão sobre futuro precisa considerar o que se perde quando a lógica do mercado é alterada.
Assim, a comparação direta com o modelo dinamarquês encontra limites no Brasil. Além do deslocamento acerca da discussão, os entrevistados apontam que a realidade tecnológica e social é outra, sobretudo fora dos grandes centros.
Professor na PUCRS, André Pase ressalta que a logística digitalmente automatizada já ensaia um futuro em partes do mundo, com carros autônomos, centros de triagem robotizados e até drones fazendo entregas.
Ele avalia que a decisão da Dinamarca desperta atenção e pode indicar um sintoma nos meios de comunicação, mas que o nosso país ainda carece de uma estrutura que viabilize essa transição de forma segura e inclusiva.
Para Moraes, a tendência é de limitação da vida útil da correspondência física, ainda que em ritmos diferentes. “[As cartas] vão se tornar obsoletas, sem dúvida nenhuma. Vai guardando as tuas porque elas vão se tornar peça de museu valiosa”, afirma, citando também selos, filatelia, cédulas e moedas como itens que podem virar registro histórico em um tempo não muito distante.
Por outro lado, Waismann rejeita a ideia. “Acho que uma coisa não substitui a outra”, diz. O professor recorda que o mundo não troca tecnologias de forma completa, ele acumula camadas e conclui que o país exige mais maturidade do que soluções únicas.
“Nós não deixamos de escrever. As crianças são alfabetizadas, letradas, com escrita. Isso é mais um daqueles modernismos para vender tecnologia. [...] Somos um país continental. Não é brincadeira quando dizemos que somos muitos países dentro de um país. O mundo verdadeiro exige complexidade. Nós não temos soluções únicas para problemas tão diversos”, finaliza.