Economia

Final de ano exige disciplina para não se perder nas contas

Planejamento com os gastos extras traz impacto positivo para se manter no azul ou não entrar no vermelho

O final do ano se aproxima e nesta época é preciso redobrar o cuidado com o orçamento para não correr o risco de entrar 2022 no vermelho. O professor da Escola de Negócios da FADERGS, Eduardo Moraes, preparou dicas para quem não quer ter problemas financeiros.  “A maior parte das famílias sofreu impacto do aumento do preço dos alimentos, combustíveis, gás, eletricidade. Com as festividades de Natal, Ano Novo e férias, há ainda uma propensão de gastar mais com itens fora da rotina. Além disso, temos os impostos, como IPTU e IPVA. Então, a primeira questão é ter disciplina e fazer um orçamento de todos os gastos previstos para os próximos seis meses e a entrada de receitas. Outro ponto é avaliar o cenário de risco. Se a pessoa sente que pode perder o emprego ou se for empreendedor e talvez fique sem receber por algum período, torna-se preciso se planejar ainda mais”, diz.
 
Se o cenário financeiro for favorável, com sobra de recursos, Moraes aconselha a fazer o pagamento à vista e pegar desconto. “As compras parceladas na verdade têm o juro embutido”, ensina. Se a opção for mesmo parcelar, o ideal é fazer no menor número de vezes possível para não assumir dívidas de longo prazo. "É importante ter cuidado de não parcelar compras somente porque o valor da parcela cabe no bolso. Muitas vezes a soma destas compras menores acabam criando uma situação de endividamento e faltam recursos”, lembra. 
 
Com a alta dos juros, é preciso evitar ao máximo entrar no cheque especial ou deixar de pagar a fatura inteira do cartão de crédito. “Se acontecer de o orçamento ficar comprometido, é melhor negociar a dívida ou buscar um empréstimo de curto prazo, pois as dívidas do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito são as piores e acabam virando uma bola de neve”, explica. 
Mas o que mais requer disciplina é evitar gastos desnecessários e buscar alternativas. “Quem consegue enxugar o orçamento tem muitos ganhos. Combinar com a família de fazer um amigo secreto no Natal e não dar presente para todos já gera um impacto. Reduzir as saídas para restaurantes e confraternizar em casa, também”, diz.
 
E para aqueles que conseguem ter um dinheiro sobrando, Moraes aconselha a fazer uma reserva para curto prazo, com 4 a 6 meses, e uma para longo prazo, acima de um ano. “O dinheiro na poupança não está rendendo nem a inflação. Então para investir há alternativas que possibilitam dispor do dinheiro de forma rápida e outras que se tem um ganho maior para manter a aplicação por tempo mais longo. Então, o ideal é ter uma quantia para emergências e outra para o futuro, como complementação de aposentadoria ou para realização de um projeto”, complementa.

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