Em um comunicado sobre a Itália, a Fitch informou que o rebaixamento reflete a intensificação da crise de dívida da zona do euro, que "constitui um choque financeiro e econômico significativo que vem enfraquecendo o perfil de risco soberano da Itália". Segundo a agência, a crise teve impacto adverso sobre a estabilidade financeira e as perspectivas de crescimento de toda a Itália. "No entanto, o alto nível da dívida pública e a exigência de financiamento fiscal, junto com a baixa taxa potencial de crescimento, deixou a Itália especialmente vulnerável a tal choque externo", afirmou.
A Fitch observou, porém, que o perfil de crédito soberano da Itália permanece relativamente forte e é sustentado por uma posição orçamentária que é comparativamente melhor do que a de vários países europeus e com mesma classificação.
"Além disso, como a terceira maior economia da zona do euro, a Itália é um membro central da União Europeia e o rating incorpora o julgamento da Fitch de que, em último caso, o BCE ou a EFSF/FMI fornecerão suporte para evitar uma crise de liquidez autoalimentada", disse a agência.
Fitch mantém nota de Portugal
A Fitch também confirmou a nota soberana de Portugal em "BBB-" e manteve sua perspectiva negativa, ao menos até final do ano. A agência de classificação disse que levará em conta, para decidir um eventual futuro rebaixamento da nota, os resultados do programa da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), seu orçamento para 2012, os avanços em matéria de privatizações, assim como os riscos do setor bancário e suas perspectivas econômicas e orçamentárias a médio prazo.
A agência de classificação Standard and Poor's havia confirmado na terça-feira a nota "BBB-" de Portugal, ao mesmo tempo em que mantinha uma perspectiva negativa, o que significa que poderia rebaixá-la nos próximos meses.
Portugal é o terceiro país depois da Grécia e Irlanda a beneficiar-se de uma assistência financeira internacional. O país lusitano enfrenta novas dificuldades que afetam seus esforços para sanear suas contas públicas e endurecer o programa de austeridade já em vigor.
Na semana passada, as estatísticas oficiais revelaram um déficit no primeiro semestre maior que o esperado (8,3% do PIB) e muito longe da meta, de 5,9% para o final do ano.