Economia

FMI defende tipo e ritmo de ajustes orçamentários adaptados aos países

Comitê Monetário e Financeiro se reuniu neste sábado em Tóquio

Diretora do FMI defende tipo e ritmo de ajustes orçamentários adaptados aos países para conter a crise
Diretora do FMI defende tipo e ritmo de ajustes orçamentários adaptados aos países para conter a crise Foto : Stephen Jaffe / IMF / AFP / CP
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse neste sábado que as grandes economias do mundo devem realizar ajustes orçamentários de acordo com "ritmo e tipo de medidas" adaptados a cada país. "Todos reconhecemos que são necessários ajustes orçamentários confiáveis a médio prazo em todas as economias avançadas, mas o ritmo e o tipo de medidas devem, evidentemente, ser calibrado país por país", afirmou.

Em entrevista após a reunião anual do Comitê Monetário e Financeiro do FMI realizada em Tóquio, no Japão, Lagarde completou dizendo que a política fiscal por si só "não é suficiente". "Neste ponto, houve um acordo total", enfatizou.

Um comunicado oficial do Comitê do FMI diz ainda que os países ricos devem equilibrar a doutrina da austeridade se desejam sair da atual crise. "A política fiscal deveria ser calibrada adequadamente, de uma forma que favoreça o crescimento assim que possível", diz o texto.

O FMI se posiciona desta forma após dias de disputa entre aqueles que, liderados pela Alemanha, defendem mais austeridade para sair da crise da dívida e os que consideram a necessidade flexibilizar a doutrina para não asfixiar as economias europeias.

O Comitê Financeiro e Monetário, que tem ministros e presidentes de bancos centrais, comemorou os "avanços significativos" observados na Eurozona, como a aplicação do fundo de resgate permanente (MEDE) e as operações de crédito do Banco Central Europeu (BCE) aos bancos. Mas destacou a necessidade de "medidas suplementares". "Esperamos a aplicação sem demora de uma união bancária efetiva e fiscal mais forte, para solidificar a moeda comum, assim como reformas estruturais para apoiar o crescimento e o emprego a nível nacional", afirma o comunicado.

Ao mesmo tempo, o FMI indicou que ainda existem "importantes incertezas e riscos" e que é necessário atuar para "romper círculos negativos e ajustar a economia mundial", em um caminho de crescimento forte, sustentável e equilibrado. "As economias avançadas deveriam aplicar as reformas estruturais necessárias e planos fiscais confiáveis. As economias emergentes deveriam preservar ou flexibilizar suas políticas como corresponder para facilitar uma resposta aos golpes adversos e apoiar o crescimento", diz o comunicado.

Em um alerta aos Estados Unidos, o texto oficial afirma que a maior economia mundial deve resolver o problema do chamado "precipício fiscal", uma combinação de aumentos de impostos e redução do gasto público que pode afetar o país no próximo ano e que, segundo analistas, poderia destruir a recuperação econômica.

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