Economia

FMI diz que déficit nas contas públicas impedirá Brasil de atingir meta do PIB

Fundo criticou aumento de gastos nos últimos dois anos do governo Lula

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou preocupação com as contas públicas brasileiras em relatório divulgado nesta quinta-feira. De acordo com a instituição,  a deterioração foi “brusca” e impedirá que o Brasil alcance a meta de superávit primário de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). O organismo econômico elevou a projeção de déficit nominal para o País e criticou o aumento dos gastos nos últimos dois anos do governo Lula.

O FMI elevou para 3,1% do PIB a projeção de déficit nominal do Brasil em 2011, 1,9 ponto percentual a mais que a estimativa anterior, divulgada em novembro. Foi a maior subida entre as 14 economias pesquisadas. O déficit nominal leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, que são desconsiderados no resultado primário. O FMI não especificou se o descumprimento da meta de superávit primário se refere a 2010 ou 2011. O resultado das contas públicas no ano passado só será divulgado pelo Banco Central na próxima segunda-feira  e o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia admitido que a meta de 3% do PIB não seria alcançada.

De acordo com o FMI, a piora nas perspectivas para as contas públicas brasileiras ocorreu por causa de gastos autorizados nos últimos meses do ano passado, além da não repetição de receitas obtidas em 2010. O fundo afirmou que os países emergentes precisam reequilibrar as contas públicas com urgência para evitar o superaquecimento e manter a credibilidade das autoridades econômicas.

Para a organização internacional, o aumento da arrecadação em muitos países emergentes no ano passado foi usado para financiar gastos maiores. "Muitos países emergentes precisam reconstruir mais rapidamente a proteção fiscal para responder às preocupações de superaquecimento e criar espaço para responder a qualquer desaceleração econômica".

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