A cobrança de um imposto sobre as aplicações de estrangeiros, como o que está sendo fixado pelo governo brasileiro, fornece apenas alguma proteção contra a valorização cambial e tende a perder efetividade com o tempo, disse Nicolas Eyzaguirre, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI (Fundo Monetário Internacional).
Indagado sobre a taxação do capital externo aplicado em renda fixa e em renda variável, com a alíquota de 2% do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), anunciada ontem pelo governo brasileiro, Eyzaguirre, que é ex-ministro das Finanças do Chile, afirmou que duas questões devem ser levadas em conta.
- Primeiro, que esses tipos de impostos propiciam alguma margem de manobra, mas não muita, de modo que os governos não devem cair na tentação de adiar outros ajustes mais fundamentais. Segundo, é muito complexo implementar esses tipos de impostos, porque eles têm de ser aplicados a todos os instrumentos financeiros possíveis.
De acordo com Eyzaguirre, esses impostos mostraram-se "porosos" ao longo do tempo em vários países.
FMI diz que efeito do novo IOF é limitado
Para banco, decisão do governo de taxar aplicação de estrangeiros perde efeito com o tempo