Economia

FMI: países latinos devem tirar estímulo fiscal primeiro

Recomendação é retirar as políticas fiscais, antes de começar a ajustar a política monetária

A recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI) é retirar as políticas fiscais, antes de começar a ajustar a política monetária. Para muitos países da América Latina e do Caribe, o pior da crise econômica global "já passou", e as nações mais bem posicionadas da região, incluindo o Brasil, enfrentam agora a questão de quando começar a retirar as medidas de estímulo, afirmou o FMI.

O Fundo ponderou que as perspectivas para os países da região variam consideravelmente, dependendo se as nações exportam commodities e se têm acesso aos mercados financeiros internacionais. Brasil, Chile, Peru, Colômbia e México estão entre os países mais bem posicionados na América Latina - são exportadores líquidos de commodities, com acesso ao mercado de capital.

"Dado que agora os fluxos de capital e comércio exterior dão a esses países um grande impulso, eles podem querer começar a sair" das políticas de estímulo, disse o diretor do departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Nicolas Eyzaguirre, durante evento para discutir a perspectiva econômica regional, cujo relatório foi divulgado hoje.

Os países que dependem fortemente do turismo e do fluxo de remessa de valores enfrentam uma recuperação mais lenta e alguns têm menos espaço para mais medidas de estímulo, disse o FMI. "Os países com o menor espaço fiscal precisarão de esforços maiores para reequilibrar os gastos para proteger grupos vulneráveis", afirmou.

No médio prazo, o FMI instou os países a se preparar para um ambiente global menos benigno de crescimento mais lento e aumentar a resistência a choques futuros. O Fundo disse, no relatório, que embora a economia mundial esteja "emergindo da recessão", a recuperação global será gradual. O crescimento nos Estados Unidos e na maioria das economias avançadas vai continuar "lento", afirmou o FMI. 


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