Um levantamento realizado pela Talenses, empresa da holding Talenses Group, apontou alguns dos impactos da Inteligência Artificial no agronegócio. O estudo foi efetuado na sede da XP Investimentos, em São Paulo, durante um encontro de associados da AgroVen rede de apoio à inovação no agro.
Produtores, representantes de agroindústrias, empresas de insumos e máquinas, revendas e cooperativas, debateram sobre as perspectivas econômicas para o agronegócio e avaliaram startups aptas a receber aportes. Durante o encontro, os empresários participaram, em tempo real, de um levantamento sobre mercado de trabalho, que investigou os impactos da utilização da IA no agronegócio. Cerca de 50% dos respondentes afirmaram que iniciativas nesse sentido já estão em fase de testes, mas sem aplicação prática em empresas de suas áreas de atuação. Outros 31% responderam que companhias do setor já fazem uso da IA, mas a prática ainda não está difundida. Já 12% dos entrevistados entendem que grande parte das empresas utilizam IA em seus processos de negócio.
Formação e qualificação dos profissionais do setor foi apontado pelo estudo como um dos principais desafios para a utilização da IA no dia a dia da gestão no agronegócio. Em seguida, está a dificuldade e/ou resistência à adoção por produtores e empresários do setor. Conectividade em áreas rurais e investimentos e custos associados à implementação de ferramentas baseadas em IA foram dificuldades citadas em terceiro e quarto lugar, respectivamente.
A maioria dos respondentes (66%) afirma que a IA terá um impacto relevante no setor. Segundo eles, empresas com utilização da ferramenta terão vantagem competitiva no mercado. Outros 21% acreditam que haverá um impacto transformador e que empresas que não utilizarem a tecnologia não terão condições de competir no setor. Quando questionados sobre qual consideram o principal ganho que a IA terá nos negócios do agronegócio, 56% afirmaram pontos positivos na produtividade com utilização nos processos produtivos. Ferramenta estratégica no suporte ao planejamento e tomada de decisão foi apontada por 25% dos entrevistados. Outros 12% e 6% acreditam na melhoria da gestão com a digitalização de processos administrativos e financeiro e no relacionamento com clientes e consumidores, respectivamente.
Qualificação e consequente migração dos profissionais para atividades mais sofisticadas é o que 60% dos respondentes acredita ser a maior consequência para o capital humano, com o uso da IA em suas áreas de atuação, no agronegócio. Outros 20% acreditam que pode haver mudança no perfil de contratação dos profissionais. Já 10% acreditam que pode haver mais automação e menos utilização de pessoas.
Quando questionados como os executivos enxergam o impacto da IA no desenvolvimento das habilidades dos trabalhadores rurais, 57% entendem que esse recurso facilitará o aprendizado e desenvolvimento de novas habilidades. Outros 36% acreditam que a tecnologia pode tornar algumas habilidades tradicionais obsoletas.
Sobre o mercado de trabalho no agronegócio, os respondentes elencaram que, atualmente, as competências comportamentais mais importantes para o setor são:
• Pensamento crítico
• Execução da estratégia
• Visão estratégica
• Inteligência emocional
• Capacidade de solução de problemas
• Habilidades digitais
• Capacidade criativa
• Comunicação
• Habilidades de negociação
• Autonomia
Para Alexandre Benedetti, diretor-geral da Talenses e cofundador do Talenses Group, o estudo apresenta reflexões importantes sobre o mercado de trabalho no segmento. “O levantamento realizado nos mostra insights importantes sobre como alguns dos principais executivos do agronegócio brasileiro avaliam a chegada da Inteligência Artificiai em suas áreas específicas de atuação. A tecnologia que está modificando o mercado de trabalho como um todo também traz consequências para o segmento agro”, afirma destacando ainda que este foi um primeiro levantamento. “Pretendemos realizar um estudo mais aprofundado sobre os impactos e transformações no setor”, completa.