Com intuito de aproximar mercados e ampliar oportunidades comerciais entre o Rio Grande de Sul e a índia, a primeira edição do fórum “Fazendo Negócios com a Índia” foi realizada em Porto Alegre na manhã de quarta-feira. O evento reuniu autoridades, empresários e representantes institucionais de empresas e entidades, no auditório da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
A iniciativa, organizada pela Câmara de Comércio Índia-Brasil, aposta no potencial de crescimento das relações bilaterais e no interesse de empresas gaúchas em expandir suas operações para novos mercados. A expectativa, segundo os organizadores, é que o encontro funcione como um ponto de partida para conexões mais duradouras.
De acordo com o diretor regional Sul da Câmara, Fernando Cesar Silva, a adesão ao evento superou as expectativas iniciais, especialmente pelo engajamento de lideranças locais. “A gente está com uma expectativa muito positiva. Quando começamos a organizar, imaginávamos dificuldades para mobilizar autoridades, mas foi o contrário. Houve apoio e entendimento de que poderíamos contribuir para aproximar empresas gaúchas que já fazem negócios com a Índia e empresas indianas que atuam aqui”, afirmou.
A proposta do fórum também passa por desmistificar o processo de internacionalização para o mercado indiano, considerado promissor, mas ainda pouco explorado por parte do empresariado local. “Talvez a gente tenha vindo para dar um pontapé inicial, para que mais empreendedores gaúchos busquem novos mercados. Não é algo imediato, não é na semana que vem que você vai despachar o primeiro contêiner, mas é um caminho que, quando começa, tende a prosperar”, destacou Silva.
Segundo ele, a relação comercial com a Índia exige persistência, mas pode gerar resultados expressivos a médio e longo prazo. “A jornada é mais longa, mas o gaúcho é resiliente, persistente e sério. Isso ajuda a criar confiança, que é fundamental nesse tipo de relação”, completou.
O evento contou com painéis que reuniram empresas brasileiras e indianas já inseridas nos dois mercados, compartilhando experiências práticas. A ideia foi apresentar casos concretos que ajudem a orientar novos investidores.
“Conseguimos reunir empresas indianas que atuam no Brasil e empresas gaúchas que já fazem negócios na Índia. Cada uma delas traz uma trajetória de anos, dez, quinze anos de atuação, e isso faz brilhar o olho de quem está começando”, explicou o diretor.
Além do intercâmbio empresarial, o fórum também destacou setores com maior potencial de crescimento na relação bilateral. No caso do Rio Grande do Sul, o agronegócio aparece como uma das principais portas de entrada, tanto na exportação quanto na importação.
“Existe uma complementaridade. A Índia pode oferecer matérias-primas, insumos, fertilizantes e maquinário que ajudam a melhorar custo e produtividade no agro gaúcho. E o Rio Grande do Sul tem espaço lá para produtos como vinhos, espumantes, óleos e uma gastronomia mais sofisticada”, afirmou.
Silva também apontou que as oportunidades não se restringem a grandes corporações, abrindo espaço para empresas de médio porte ampliarem sua atuação internacional. “Não adianta ser só uma grande empresa fazendo negócios. Precisamos aumentar a variedade e o número de empresas envolvidas. Empresas médias e grandes estão muito aptas a participar desse processo”, disse.
Outro ponto destacado durante o encontro foi a semelhança cultural entre brasileiros e indianos no ambiente de negócios, o que pode facilitar a construção de parcerias. “A parte cultural precisa ser desmistificada. A forma de fazer negócios é muito parecida. São, em sua maioria, empresas familiares, onde a confiança vem antes do contrato. O olho no olho e o relacionamento são fundamentais”, ressaltou.
Para os organizadores, a expectativa é de continuidade. A ideia é que novas edições sejam realizadas e que, nos próximos anos, já seja possível mensurar resultados concretos a partir das conexões iniciadas agora. “Eu não tenho dúvida de que, em pouco tempo, vamos estar falando na segunda ou terceira edição, já com exemplos de negócios que surgiram a partir deste primeiro encontro”, concluiu Silva.
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