"Para conseguir o déficit zero até 2016, que é o nosso objetivo, será preciso poupar um pouco mais de 100 bilhões de euros", afirmou Fillon em uma coletiva de imprensa. O governo, cuja prioridade é conservar a máxima nota, o triplo A, atribuída à França pelas agências de classificação, anunciou novos impostos e medidas sociais, entre elas um antecipação da entrada em vigor da reforma das aposentadorias.
A reforma das aposentadorias, um dos projetos emblemáticos do mandato de Nicolas Sarkozy, que aumenta em dois anos a idade mínima para se aposentar, aos 62 anos, entrará em vigor em 2017, um ano antes do previsto. Isso permitirá poupar 4,4 bilhões de euros o déficit das pensões entre 2012 e 2016, afirmou o primeiro-ministro.
O Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) passará de 5,5 a 7% para "todos os produtos e serviços, com exceção dos produtos de primeira necessidade, em particular a alimentação", que a equipara à alemã, numa perspectiva de "convergência". As grandes empresas também terão de dar sua contribuição. "A título excepcional, o imposto às sociedades de grandes empresas - acima dos 250 milhões de euros do volume de negócios -, subirá 5% em 2012 e 2013, até que o déficit público fique abaixo dos 3%", segundo o comunicado do governo.
Para 2012, ano de eleições, o governo francês pretende poupar 500 milhões de euros adicionais nos gastos do Estado, que se somam a um bilhão anunciado no projeto de orçamento inicial para o próximo ano. Estas novas medidas de austeridade acontecem depois da queda da previsão do crescimento, que passa de 1,75% a 1% até 2012.
Supõem cerca de 7 bilhões de poupança até 2012, que se somam a um plano de 12 bilhões de euros apresentado no final de agosto. Fillon também anunciou o congelamento dos salários tanto do presidente da República como dos ministros até "o equilíbrio estrito" das finanças públicas.