Economia

Fundo Garantidor de Exportações acumula calotes, diz Dyogo Oliveira

Operações de empréstimos aos países tem seguro coberto pelo próprio FGE

Fundo Garantidor de Exportações acumula calotes, diz Dyogo Oliveira
Fundo Garantidor de Exportações acumula calotes, diz Dyogo Oliveira Foto : Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, afirmou nesta sexta-feira que o Fundo Garantidor de Exportações (FGE) é "extremamente superavitário" e defendeu a suplementação do Orçamento da União de 2018 para dar conta de gastos com calotes da Venezuela e de Moçambique, especialmente em empréstimos devidos à instituição de fomento.

Na quinta-feira o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, anunciou que o governo enviará um Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) para alocar cerca de R$ 1,3 bilhão para honrar dívidas cobertas pelo FGE, especialmente com bancos como o BNDES e o Credit Suisse.

A necessidade de previsão orçamentária para honrar dívidas não pagas pelos dois países já era conhecida. A conta dos atrasos fica com o Tesouro Nacional porque as operações de empréstimos têm seguro coberto pelo FGE, que é vinculado ao Ministério da Fazenda e existe para garantir esse tipo de financiamento.

"Hoje temos um valor ainda reduzido em termos de inadimplência. Os recursos aprovados pelo Congresso talvez fossem suficientes. O problema é que esses países ainda têm parcelas a vencer e há uma dúvida se serão honradas", afirmou
Dyogo, ao deixar evento de lançamento de um programa conjunto do BNDES com o Ministério da Educação, no Rio.

Questionado sobre a demora do governo em enviar ao Congresso o pedido por mais recursos para dar conta desse gasto, Dyogo Oliveira, ex-ministro do Planejamento, lembrou que o Orçamento de 2018 foi enviado ao Legislativo em agosto.

Além disso, a Venezuela atrasou uma parcela da dívida no fim do ano passado, mas pagou em janeiro. Também em janeiro, o país vizinho voltou a atrasar uma parcela de US$ 135 milhões da dívida com o BNDES. O saldo devedor da Venezuela com o BNDES soma US$ 814 milhões, conforme o dado do fechamento de 2017, como revelou o Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) em janeiro. 

Segundo Dyogo Oliveira, o processo de ajuste do Orçamento para fazer frente aos gastos do FGE seguiu o padrão histórico. "O padrão histórico do FGE é extremamente superavitário. Esse será o primeiro default realmente relevante desde a sua criação, nos anos 1990", afirmou o presidente do BNDES. Dyogo Oliveira defendeu a suplementação orçamentária para honrar o gasto do FGE. "O que é importante é que a gente consiga manter o sistema funcionando", disse.

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio