Segundo o ministro, é a Secretaria do Tesouro que vai avaliar o momento oportuno para a compra ou a venda de dólares. "A coordenação é da Secretaria do Tesouro, que determina a compra. O BC age como operador do FSB", disse Mantega. O ministro deu uma rápida explicação sobre de onde virão os recursos para a compra de dólares. Conforme Mantega, o FSB terá duas contas. Uma, que chamou de orçamentária, lidará com os recursos que já foram aportados no fundo (quase R$ 18 bilhões).
A segunda conta, que chamou de financeira, lidará com as disponibilidades de caixa do Tesouro. É da segunda conta, que tem disponibilidade de liquidez "muito grande", segundo o ministro, que virão os recursos para a compra de dólares. "É a mesma coisa do BC. O BC não tem limite para adquirir dólares. O Tesouro também não tem limite para comprar. É uma troca de real por dólar, não se está fazendo nenhum gasto, só uma troca de moeda por outra", disse Mantega.
Questionado sobre o motivo de o BC não fazer as compras, Mantega respondeu: "É uma fonte adicional de compra. Podemos dizer que dobra a capacidade de compra, mas certamente vamos atuar sintonizados com o BC". O ministro disse ainda que o Tesouro tem bastante liquidez em caixa, mas acrescentou que essa é uma informação que "ninguém sabe", exceto o secretário do Tesouro e ele próprio. Mantega lembrou ainda que, além da liquidez, o Tesouro pode conseguir caixa vendendo títulos.
O ministro também refutou as avaliações de que tem procurado segurar o câmbio "no gogó". "Eu falo e faço, mas faço com prudência. Basta lembrar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) que fizemos", disse. O ministro acrescentou que em matéria de câmbio o governo não pode ser precipitado e tem que atuar com muita prudência, pois este é um mercado sensível. Segundo Mantega, o governo está agindo para coibir exageros e impedir excessos de valorização do real.